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 24/06/2007

Adriana Nascimento


Entrevista concedida por Adriana Nascimento durante o Power Biker 2007 sobre o seu trabalho de Assessoria Esportiva

Adriana, com a planilha na mão, orienta treinamento de contra-relógio dos ciclistas orientados por ela em seu trabalho de Assessoria Esportiva
- veja o Álbum de Fotos

Adriana Nascimento – Entrevista 2007

Para os que não conhecem bem a história de Adriana, ela é a biker brasileira com mais títulos no currículo na história do Mountain bike brasileiro. Em 2003, parou de competir com 8 títulos de campeã brasileira e pan-americana. Criou uma empresa de Assessoria Esportiva focada em treinamento em bike. Este ano voltou para valer as competições. Leiam abaixo a nossa conversa com ela logo após o Power Biker, em que conquistou o inédito título de Rainha da Montanha.


Equipe Freeride Sport – Adriana, conta um pouco para nós sobre seu trabalho de Assessoria Esportiva.
Adriana Nascimento – Comecei este trabalho há três anos. Eu tinha parado de competir, fui morar em São Paulo e comecei a trabalhar com treinamento específico para mountain bike e ciclismo. A maioria dos alunos são de MTB mesmo. Durante a semana treinam em speed em São Paulo, que é o mais viável; quando não tem competição, a vamos andar nas trilhas nas trilhas perto de SP, ou fazer algo diferente, como treinar em Campos do Jordão, onde é possível realizar uns treinos muito bons.

Atualmente eu tenho 40 alunos. Quando comecei eu estabeleci um limite de 20 pessoas, mas estourou e com o tempo as pessoas vão criando um vínculo e depois, não tem como, tem que atender.

Eu gosto muito do meu trabalho porque são pessoas que correspondem. Nós damos certas orientações e as pessoas vão e fazem direito, gostam de estar competindo.

Equipe Freeride Sport – Não fazem por obrigação, fazem por gosto.
Adriana Nascimento – É, dessa forma flui. Estou bem contente.

Equipe Freeride Sport – E Adriana, como é o seu método de trabalho, tem um projeto pedagógico por trás, como você prepara os treinamentos, é de acordo com cada pessoa, conta um pouco para nós.
Adriana Nascimento – Eu tinha limitado a 20 pessoas porque é um trabalho bastante personalizado, o que cada um pode, o que cada um quer, os objetivos de cada um. Isto dá bastante trabalho.

Equipe Freeride Sport – Você traça um perfil de cada um quando a pessoa começa, características físicas, saúde?
Adriana Nascimento – Sim. Primeiro tem uma entrevista, para eu conhecer a pessoa, como ela trabalha, o que faz, tenho que saber da vida toda da pessoa para eu poder traçar um perfil dela. E o grande problema é este, muita gente trabalha, tenho que passar o treinamento de acordo com o que ela pode, tenho que conciliar tudo, a família, trabalho, tenho que saber a rotina da pessoa, não é muito fácil.

O primeiro passo é passar pela avaliação física. É feita por um médico, cardiologista, o médico faz os exames e me dá todos os parâmetros necessários para eu conhecer a pessoa de verdade, no aspecto fisiológico. Saber até onde ele pode ir, freqüência cardíaca, pressão arterial, é um check-up geral para segurança do atleta e minha também para eu poder desenvolver um trabalho bom.

Equipe Freeride Sport – No aspecto psicológico, como tratar a pessoa, tem uma motivação própria, mas você também estimula, cria objetivos para cada um alcançar tais e tais objetivos, é recreação, mas recreação com alguma seriedade, como é que você pensa tudo isso?
Adriana Nascimento – Eu dou muita importância para este lado psicológico. Neste sentido eu também tenho que conhecer o perfil de cada um. Acho até que mais importante que o lado físico, dar tantas horas de treino, subida tal e tal, é saber o que a pessoa está realmente precisando, mantém o nível de motivação. Eu procuro manter isto com os treinos e com as corridas. Formamos um grupo bem unido, as pessoas são bem amigas, embora cada um faça o seu treino; não é todo dia que se reúnem para treinar, cada um faz o seu treino, se encontram no final do dia lá na USP para conversar, mas o grande desafio é realmente este, manter a motivação das pessoas.

Equipe Freeride Sport – E em relação à competição, você os estimula a entrarem nas corridas, participarem, ir melhorando, considera legal que eles participem também dos eventos esportivos?
Adriana Nascimento – Sim. A maioria já me procura porque quer participar mesmo, quer competir. Mas houve vários casos em que a pessoa dizia que só queria estar bem. Caso bom é do Tomas que foi comigo para Cape Epic. Ele me procurou porque gostava de fazer cicloturismo, fazia uma viagem por ano, só que ele gostaria de não sofrer na viagem, estar preparado. E ele ouviu sobre Cape Epic no rádio e resolveu fazer. Começou a treinar. Eu o convidei a ir a uma corrida para ele ver como é. Pronto. Bastou ir a primeira e já gostou e hoje ele vai a todas.

Equipe Freeride Sport – É muito legal este trabalho para desenvolver o MTB aliado ao prazer pessoal, ao lazer.
Adriana Nascimento – Hoje para todos, sem exceção, aliás, para mim também, hoje competindo para valer, é o prazer de estar aqui praticando o esporte, aliado a esta convivência gostosa aqui, a amizade, a parte social.

Equipe Freeride Sport – Falamos da saúde, da parte psicológica, mas tem também a parte sócio-cultural nisto tudo.
Adriana Nascimento – Exatamente. São os três componentes. E este cultural é o que movimenta, todo mundo se conhece, um torce pelo outro. Quando termina as corridas, nas segundas-feiras é aquela troca de e-mails. Este foi assim, este foi assado, parabéns, um tira sarro do outro, vai movimentando até a próxima corrida, é muito gostoso.

Equipe Freeride Sport – Este projeto de Assessoria esportiva acabou estimulando você própria a voltar às competições depois que você tinha parado um pouco?
Adriana Nascimento – Foi. Eu vinha nas corridas para fazer apoio, como técnica. Logo eu comecei a andar com eles, eu sempre ando, e acabei sentindo vontade de competir novamente. Agora acho que não paro mais. Eles foram meus motivadores.

Equipe Freeride Sport – Entre eles teve ter pessoas de várias faixas etárias, o que prova que o esporte, a bike, não tem idade para praticar.
Adriana Nascimento – Isto realmente não tem mesmo. É dos 8 aos 80 anos. Eu tenho um de 17 anos que já anda super bem e tem o Beto, o Serafim, que tem 52 anos, que anda aí com todos, não deixa a desejar para ninguém. Se bobear eles passam mesmo e vão embora.

Equipe Freeride Sport – Você mesmo tem andado junto e muitas vezes na frente de moças com 10 ou 15 anos a menos.
Adriana Nascimento – É, prova que não tem esta de idade. Aliás, pela característica do esporte, de força e resistência, a melhor idade mesmo está entre 26 e 34 anos. Prova disso é só ver a idade das campeãs do mundo, campeãs olímpicas, é tudo por aí.

Treinamento

No sábado seguinte a esta conversa com Adriana a acompanhamos em um treino com seus “alunos” na Estrada dos Romeiros, em Pirapora do Bom Jesus, na Região Metropolitana de São Paulo.

Foi um treino com bikes de speed, havia por volta de 13 bikers nesta ocasião. Como ela explicou acima, todos organizam seus treinos individuais e em grupo de acordo com seus compromissos pessoais, além do que alguns são de fora de São Paulo. O que nos chamou a atenção ao conversar com eles foi a questão da preferência ao pedalar. Quase todos nos confessaram que o prazer de pedalar é maior com as bikes de MTB, nas trilhas de terra, fora um dos ciclistas que não tem nem bicicleta de mountain bike, os outros preferem basicamente as competições de cross country.

O elogio maior que nós obrigamos a descrever a vocês é o excelente trabalho pedagógico social da Adriana. No lugar de uma atleta campeã, o que encontramos foi uma treinadora dedicada, preocupada em anotar o andamento dos treinos de cada um, batimentos cardíacos, médias de pedal, relatos das impressões de cada um sobre os treinamentos diários, etc. Ao acréscimo, o que sobressai sobre o trabalho profissional é a empenho em criar um ambiente agradável no grupo, o estímulo a surgir do próprio ambiente sociocultural que leva ao aumento da motivação. Ouvimos de vários dos ciclistas sobre o prazer de estar presente, do reunir o grupo, de serem antes um grupo social de amigos ainda mais do que um grupo de treinamento.

O grupo era formado principalmente por ciclistas na faixa dos 30-40 anos, basicamente masculino, embora anotemos a presença do casal Daniel Aliperti e sua esposa Carol. São pessoas que demonstram claramente o gosto por pedalar, há vários que cumprem rotina de treinamento nas madrugadas da USP durante a semana e no fim de semana pegam suas bikes de XC e se dirigem as trilhas.

Acompanhar uma manhã de treinamento de parte do grupo de bikers orientados de acordo com o trabalho de Assessoria Esportiva da atleta e treinadora Adriana Nascimento nos proporcionou testemunhar um trabalho que deveria servir de exemplo e estímulo aos atletas e treinadores brasileiros.

 

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Para mais informações entre com ela em contato através do seu website pessoal –
http://www.anmtb.com.br/default.asp

 

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