Adriana
Nascimento
Entrevista concedida por Adriana Nascimento durante o Power Biker 2007
sobre o seu trabalho de Assessoria Esportiva
 |
Adriana, com a planilha na mão,
orienta treinamento de contra-relógio dos ciclistas orientados
por ela em seu trabalho de Assessoria Esportiva
- veja
o Álbum de Fotos |
Adriana Nascimento – Entrevista 2007
Para os que não conhecem bem a história
de Adriana, ela é a biker brasileira com mais títulos
no currículo na história do Mountain bike brasileiro.
Em 2003, parou de competir com 8 títulos de campeã brasileira
e pan-americana. Criou uma empresa de Assessoria Esportiva focada em
treinamento em bike. Este ano voltou para valer as competições.
Leiam abaixo a nossa conversa com ela logo após o Power Biker,
em que conquistou o inédito título de Rainha da Montanha.
Equipe Freeride Sport – Adriana,
conta um pouco para nós sobre seu trabalho de Assessoria Esportiva.
Adriana Nascimento – Comecei este trabalho há
três anos. Eu tinha parado de competir, fui morar em São
Paulo e comecei a trabalhar com treinamento específico para mountain
bike e ciclismo. A maioria dos alunos são de MTB mesmo. Durante
a semana treinam em speed em São Paulo, que é o mais viável;
quando não tem competição, a vamos andar nas trilhas
nas trilhas perto de SP, ou fazer algo diferente, como treinar em Campos
do Jordão, onde é possível realizar uns treinos
muito bons.
Atualmente eu tenho 40 alunos. Quando comecei eu estabeleci
um limite de 20 pessoas, mas estourou e com o tempo as pessoas vão
criando um vínculo e depois, não tem como, tem que atender.
Eu gosto muito do meu trabalho porque são pessoas
que correspondem. Nós damos certas orientações
e as pessoas vão e fazem direito, gostam de estar competindo.
Equipe Freeride Sport –
Não fazem por obrigação, fazem por gosto.
Adriana Nascimento – É, dessa forma flui.
Estou bem contente.
Equipe Freeride Sport –
E Adriana, como é o seu método de trabalho, tem um projeto
pedagógico por trás, como você prepara os treinamentos,
é de acordo com cada pessoa, conta um pouco para nós.
Adriana Nascimento – Eu tinha limitado a 20 pessoas
porque é um trabalho bastante personalizado, o que cada um pode,
o que cada um quer, os objetivos de cada um. Isto dá bastante
trabalho.
Equipe Freeride Sport –
Você traça um perfil de cada um quando a pessoa começa,
características físicas, saúde?
Adriana Nascimento – Sim. Primeiro tem uma entrevista,
para eu conhecer a pessoa, como ela trabalha, o que faz, tenho que saber
da vida toda da pessoa para eu poder traçar um perfil dela. E
o grande problema é este, muita gente trabalha, tenho que passar
o treinamento de acordo com o que ela pode, tenho que conciliar tudo,
a família, trabalho, tenho que saber a rotina da pessoa, não
é muito fácil.
O primeiro passo é passar pela avaliação
física. É feita por um médico, cardiologista, o
médico faz os exames e me dá todos os parâmetros
necessários para eu conhecer a pessoa de verdade, no aspecto
fisiológico. Saber até onde ele pode ir, freqüência
cardíaca, pressão arterial, é um check-up geral
para segurança do atleta e minha também para eu poder
desenvolver um trabalho bom.
Equipe Freeride Sport –
No aspecto psicológico, como tratar a pessoa, tem uma motivação
própria, mas você também estimula, cria objetivos
para cada um alcançar tais e tais objetivos, é recreação,
mas recreação com alguma seriedade, como é que
você pensa tudo isso?
Adriana Nascimento – Eu dou muita importância
para este lado psicológico. Neste sentido eu também tenho
que conhecer o perfil de cada um. Acho até que mais importante
que o lado físico, dar tantas horas de treino, subida tal e tal,
é saber o que a pessoa está realmente precisando, mantém
o nível de motivação. Eu procuro manter isto com
os treinos e com as corridas. Formamos um grupo bem unido, as pessoas
são bem amigas, embora cada um faça o seu treino; não
é todo dia que se reúnem para treinar, cada um faz o seu
treino, se encontram no final do dia lá na USP para conversar,
mas o grande desafio é realmente este, manter a motivação
das pessoas.
Equipe Freeride Sport –
E em relação à competição, você
os estimula a entrarem nas corridas, participarem, ir melhorando, considera
legal que eles participem também dos eventos esportivos?
Adriana Nascimento – Sim. A maioria já
me procura porque quer participar mesmo, quer competir. Mas houve vários
casos em que a pessoa dizia que só queria estar bem. Caso bom
é do Tomas que foi comigo para Cape Epic. Ele me procurou porque
gostava de fazer cicloturismo, fazia uma viagem por ano, só que
ele gostaria de não sofrer na viagem, estar preparado. E ele
ouviu sobre Cape Epic no rádio e resolveu fazer. Começou
a treinar. Eu o convidei a ir a uma corrida para ele ver como é.
Pronto. Bastou ir a primeira e já gostou e hoje ele vai a todas.
Equipe Freeride Sport –
É muito legal este trabalho para desenvolver o MTB aliado ao
prazer pessoal, ao lazer.
Adriana Nascimento – Hoje para todos, sem exceção,
aliás, para mim também, hoje competindo para valer, é
o prazer de estar aqui praticando o esporte, aliado a esta convivência
gostosa aqui, a amizade, a parte social.
Equipe Freeride Sport –
Falamos da saúde, da parte psicológica, mas tem também
a parte sócio-cultural nisto tudo.
Adriana Nascimento – Exatamente. São os
três componentes. E este cultural é o que movimenta, todo
mundo se conhece, um torce pelo outro. Quando termina as corridas, nas
segundas-feiras é aquela troca de e-mails. Este foi assim, este
foi assado, parabéns, um tira sarro do outro, vai movimentando
até a próxima corrida, é muito gostoso.
Equipe Freeride Sport –
Este projeto de Assessoria esportiva acabou estimulando você própria
a voltar às competições depois que você tinha
parado um pouco?
Adriana Nascimento – Foi. Eu vinha nas corridas
para fazer apoio, como técnica. Logo eu comecei a andar com eles,
eu sempre ando, e acabei sentindo vontade de competir novamente. Agora
acho que não paro mais. Eles foram meus motivadores.
Equipe Freeride Sport –
Entre eles teve ter pessoas de várias faixas etárias,
o que prova que o esporte, a bike, não tem idade para praticar.
Adriana Nascimento – Isto realmente não
tem mesmo. É dos 8 aos 80 anos. Eu tenho um de 17 anos que já
anda super bem e tem o Beto, o Serafim, que tem 52 anos, que anda aí
com todos, não deixa a desejar para ninguém. Se bobear
eles passam mesmo e vão embora.
Equipe Freeride Sport –
Você mesmo tem andado junto e muitas vezes na frente de moças
com 10 ou 15 anos a menos.
Adriana Nascimento – É, prova que não
tem esta de idade. Aliás, pela característica do esporte,
de força e resistência, a melhor idade mesmo está
entre 26 e 34 anos. Prova disso é só ver a idade das campeãs
do mundo, campeãs olímpicas, é tudo por aí.
—
Treinamento
No sábado seguinte a esta conversa com Adriana a acompanhamos
em um treino com seus “alunos” na Estrada dos Romeiros,
em Pirapora do Bom Jesus, na Região Metropolitana de São
Paulo.
Foi um treino com bikes de speed, havia por volta de
13 bikers nesta ocasião. Como ela explicou acima, todos organizam
seus treinos individuais e em grupo de acordo com seus compromissos
pessoais, além do que alguns são de fora de São
Paulo. O que nos chamou a atenção ao conversar com eles
foi a questão da preferência ao pedalar. Quase todos nos
confessaram que o prazer de pedalar é maior com as bikes de MTB,
nas trilhas de terra, fora um dos ciclistas que não tem nem bicicleta
de mountain bike, os outros preferem basicamente as competições
de cross country.
O elogio maior que nós obrigamos a descrever
a vocês é o excelente trabalho pedagógico social
da Adriana. No lugar de uma atleta campeã, o que encontramos
foi uma treinadora dedicada, preocupada em anotar o andamento dos treinos
de cada um, batimentos cardíacos, médias de pedal, relatos
das impressões de cada um sobre os treinamentos diários,
etc. Ao acréscimo, o que sobressai sobre o trabalho profissional
é a empenho em criar um ambiente agradável no grupo, o
estímulo a surgir do próprio ambiente sociocultural que
leva ao aumento da motivação. Ouvimos de vários
dos ciclistas sobre o prazer de estar presente, do reunir o grupo, de
serem antes um grupo social de amigos ainda mais do que um grupo de
treinamento.
O grupo era formado principalmente por ciclistas na
faixa dos 30-40 anos, basicamente masculino, embora anotemos a presença
do casal Daniel Aliperti e sua esposa Carol. São pessoas que
demonstram claramente o gosto por pedalar, há vários que
cumprem rotina de treinamento nas madrugadas da USP durante a semana
e no fim de semana pegam suas bikes de XC e se dirigem as trilhas.
Acompanhar uma manhã de treinamento de parte
do grupo de bikers orientados de acordo com o trabalho de Assessoria
Esportiva da atleta e treinadora Adriana Nascimento nos proporcionou
testemunhar um trabalho que deveria servir de exemplo e estímulo
aos atletas e treinadores brasileiros.
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o Álbum de Fotos
Para mais informações entre com
ela em contato através do seu website pessoal –
http://www.anmtb.com.br/default.asp
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