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 03/02/2009

Orlando Alves - entrevista - site papaleguasbikers



Luís Paulo – Olá Orlando, primeiramente gostaria de agradecê-lo pelo seu tempo em responder esta entrevista, e também, parabenizá-lo pelo grande sucesso e pelos vários títulos conquistados em tão pouco tempo!

Orlando Alves – Olá Luís, muito obrigado pela torcida e pela força, agradeço a você e toda sua equipe pela entrevista.

LP – Fale um pouco sobre sua história no ciclismo, sobre como foi seu primeiro contato com uma bicicleta e quando começou a se interessar pelas competições de mountain bike?

OA – Na verdade comecei no BMX em 2001, mas não levei tão a sério, pois não era muito meu estilo! A bike era meio pequena, mas mesmo assim, entre uns treinos e outros na pista de BMX, sempre havia uns treinos de estrada de terra com aro 20, e foi ai comecei a perceber que era melhor arrumar uma mountain bike. Foi quando em 2002 comprei uma mountain bike com quadro de alumínio e com peças bem simples. Aos poucos fui equipando para agüentar um pouco mais o tranco. Logo no início de 2003, comecei a treinar com a equipe de Campo Limpo Paulista, e em maio do mesmo ano, fui para minha primeira prova em Santa Isabel, uma prova de maratona com muitas subidas, e põe subida nisso! Empurrei mais do que pedalei, mas consegui concluir bem na categoria estreante ficando em oitavo lugar. Foi ai que me deu uma animada, porque eram troféus até o décimo colocado. Ai depois dessa prova nunca mais parei, sempre treinando cada vez mais em busca de resultados ainda mais expressivos.

LP – E quais as boas e más lembranças da sua estréia? Já sei que as subidas são algumas das más lembranças!

OA – Só tenho boas lembranças! Apesar da pouca experiência na época, lembro muito bem: bermudão normal, tênis de futebol society (ajudou muito enquanto empurrava), capacete meio torto - J - e principalmente o primeiro pódio! Só boas lembranças.

LP – Haha! Capacete meio torto é demais! Eu ando de capacete meio torto até hoje! Como foi ter participado da Maratona 100 km dos Canaviais, que é uma prova além da média em termos de quilometragem? Você achou que foi uma prova com de grandes dificuldades técnicas e muito cansativa?

OA – Essa foi uma das minhas melhores corridas. Com 60 km de prova arrisquei uma fuga sozinho, o pelotão não confiou, foi ai que eu percebi e aumentei ainda mais o ritmo! Faltando uns 20 km havia uma serra muito dura, consegui manter o tempo do pelotão e ganhar na geral escapado. Mas foi muito duro andar 40 km sozinho contra um pelotão enorme me perseguindo! Uma das maiores dificuldades foi o calor e o ar seco de Ribeirão Preto, mas já fui pra lá sabendo o que eu iria enfrentar.

LP – Percebe-se inclusive que você, e as vezes mais alguns atletas, se destacam do restante do pelotão em determinado ponto da corrida. Existe alguma estratégia nesse sentido? Você se utiliza da energia do pelotão se preservando para abrir nos quilômetros finais?

OA – Depende muito do tipo de corrida... quando é mais curta de até uns 40 km, já tento sair mais forte e aumento o ritmo cada vez mais, como fiz no Endurance Bike de 2008, logo na largada havia uma "parede" de asfalto em Morungaba, já ataquei muito forte, e como eu conhecia o circuito, aproveitei e aumentei o ritmo, ganhando novamente na geral! Agora quando já é mais longa ou tem muitos atletas de Elite, ai muda toda a estratégia, porque não adianta querer escapar, pois com certeza, alguém vai te pegar mais pra frente. Foi o que aconteceu na última etapa do GP Ravelli de 2008, fiz uma fuga no meio da prova, andei no meu limite, ai se aproximou a serra do Oasis Scott, foi quando o Renato Ruiz da equipe de ciclismo da Caloi conseguiu encostar, eu não tinha muito o que fazer e a melhor opção, foi ir até o final revezando e que ganhasse o que tivesse mais preparado! No final não agüentei mais revezar e ele acabou ganhando na geral. Mas pra mim foi mais uma experiência positiva.

LP – Lembro-me muito bem do Endurance em Morungaba, pois logo na primeira subida ali ainda no asfalto, você já abriu distância do pelotão conforme mostra a foto abaixo. Ainda em se tratando de competições, considerando a estrutura, divulgação e nº de participantes, atualmente quais você considera as principais provas do calendário nacional?

OA – Hoje em dia a maioria da provas estão sendo bem divulgadas, mas em minha opinião uma das melhores estruturas é a do Big Biker, uma prova toda informatizada, com uma ótima infra-estrutura, cidades com hotel e pousadas, e sem contar o número de participantes, uma média de 800 atletas. A outra que está vindo no mesmo caminho é o Endurance Bike, organizada pelo Sandro Montico, que a cada ano mostra que a prova veio pra ficar e entrar para o calendário de todos.

LP – Em recente entrevista realizada com nosso amigo André Melo da equipe Greenbikers, ele disse que os valores cobrados nas inscrições de algumas competições são altos, opinião compartilhada por mim também. Qual sua opinião a respeito disso? Você também acredita que alguns organizadores se preocupam mais com seu lucro do que com a qualidade da prova?

OA – Os custos são altos porque para manter uma estrutura grande, também é caro, ainda mais quando é informatizada, com um kit com camisa, garrafa, frutas e isotônico na chegada! Tudo isso vale pelo valor da inscrição, mas não são todas as provas que são assim. Se todos os organizadores pensassem mais com a qualidade da prova, automaticamente o lucro acabaria vindo junto com o aumento do número de participantes, e conseqüentemente, melhorando o nível do mountain bike no Brasil.

LP – Falando em melhorar o nível, em sua opinião, quais são os atletas que mais tem se destacado atualmente e quais você acredita que terão um futuro promissor dentro do nosso esporte, no cenário nacional?

OA – Acredito no Rubinho, ele está em um nível acima de todos no Brasil, e vai representar muito bem nosso pais esse ano no exterior.

LP – Muito bem Orlando! QUANTO MAIS VOCÊ SOFRER NOS TREINOS, MENOS SOFRERÁ NAS CORRIDAS! Este é o seu lema?

OA – Sim, é o que eu penso! Tento dificultar ao máximo meus treinos sempre simulando as dificuldades das provas! Isso para mim ajuda muito, pois sempre chego nas corridas com o dever cumprido dos treinos.

LP – Gostaria que você nos falasse sobre isso, sobre como e onde são os seus treinos? Asfalto, terra? Quilometragem por semana, enfim...

OA – 90% dos meus treinos são feitos no asfalto com a speed, sempre fazendo quilometragem alta com bastante subidas, dando uma média de 3 a 4 horas por dia, isso dependendo muito da próxima corrida. Ai quando a corrida se aproxima sempre rodo a semana que antecede com a mountain bike.

LP – E o que você espera para este ano de 2009? Algum grande desafio, alguma corrida em especial a ser conquistada?

OA – Este ano vai ser um pouco mais difícil, pois vou tentar defender meus títulos na Copa Endurance, nos 100 km dos Canaviais, no GP Ravelli, no Bike Man, e manter os bons resultados durante o ano inteiro.

LP – Gostaria de saber quais são seus patrocinadores e que tipo de patrocínio eles lhe oferecem?

OA – Desde agosto de 2007 estou com o patrocínio da loja CicloRavena, localizada em Moema - SP, onde tenho um ótimo apoio de peças e um ótimo suporte e infra-estrutura nas corridas. Conto também, desde 2008, com a parceria entre a CicloRavena e a Scott, onde me oferecem vestuário, capacete, meias, sapatilha e a Scott Scale LTD. O capacete é o modelo Fuga 2009, o mesmo usado pelo time profissional Scott-Swisspower MTB Team, e a ProShock, que me oferece a suspensão ProShock One Air, uma das mais leves do mercado. Agora para o ano de 2009 pretendemos fechar novas parcerias com marcas que a loja representa para darmos continuidade aos ótimos resultados nas competições.

LP – Scott Scale LTD.?! Essa é top hein... Você já esta treinando com a LTD. 2009? O que você poderia nos falar sobre essa bike?

OA – Scale LTD., meu sonho desde quando comecei a pedalar... Hoje posso falar como é pedalar numa bike top, principalmente em relação ao conforto! É impressionante como o carbono absorve as pequenas vibrações do terreno e principalmente do peso. A minha é uma LTD. com freios V-brake e o peso está abaixo dos 9 kg, onde ajuda muito em longas subidas e em trechos mais técnicos... resumindo, uma verdadeira máquina.


LP – Ok Orlando! Além de ser mountain biker, quais são suas outras atividades fora do esporte? Você trabalha, estuda...?

OA – Faço faculdade a noite, estou no último semestre do curso de Sistemas para Internet, e ultimamente estou trabalhando em casa com desenvolvimento de sites de jogos.

LP – Gostaria de saber qual a participação e a importância de sua família em sua trajetória como mountain biker? Seus pais ainda hoje o acompanham na maioria das provas?

OA – Meus pais me levaram só na primeira corrida, a partir da segunda já fui com a turma da minha antiga equipe. Mas meus pais sempre estão me apoiando e torcendo por bons resultados. Hoje em dia eles vão sempre me ver sofrer um pouco no 6 Horas e 12 Horas, organizados pelo Sampa Bikers, onde corro sempre na categoria solo.

LP – Antes de finalizarmos, você gostaria de acrescentar algo mais que não tenhamos mencionado no decorrer da entrevista?

OA – Acho que deu pra mim falar um pouco de quando comecei e também dos equipamentos que estou usando atualmente. Pra finalizar só quero dar uma dica pra quem está começando: o mountain bike é um esporte muito difícil, e é preciso ter muita dedicação com os treinos, e muito treino!!! E também muita persistência, pois só assim, com o tempo, os resultados e os primeiros apoios aparecem, basta ter força de vontade.

LP – Maravilha Orlando, mais uma vez obrigado pela entrevista e desejo muito sucesso a você e a todos da Cicloravena!

OA – Eu e toda equipe CicloRavena agradecemos a oportunidade... até a próxima competição, valeu!!!

 


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