Orlando Alves - entrevista - site papaleguasbikers
Luís Paulo –
Olá Orlando, primeiramente gostaria de agradecê-lo pelo
seu tempo em responder esta entrevista, e também, parabenizá-lo
pelo grande sucesso e pelos vários títulos conquistados
em tão pouco tempo!
Orlando Alves – Olá Luís, muito
obrigado pela torcida e pela força, agradeço a você
e toda sua equipe pela entrevista.
LP – Fale um pouco sobre sua
história no ciclismo, sobre como foi seu primeiro contato com
uma bicicleta e quando começou a se interessar pelas competições
de mountain bike?
OA – Na verdade comecei no BMX
em 2001, mas não levei tão a sério, pois não
era muito meu estilo! A bike era meio pequena, mas mesmo assim, entre
uns treinos e outros na pista de BMX, sempre havia uns treinos de estrada
de terra com aro 20, e foi ai comecei a perceber que era melhor arrumar
uma mountain bike. Foi quando em 2002 comprei uma mountain bike com
quadro de alumínio e com peças bem simples. Aos poucos
fui equipando para agüentar um pouco mais o tranco. Logo no início
de 2003, comecei a treinar com a equipe de Campo Limpo Paulista, e em
maio do mesmo ano, fui para minha primeira prova em Santa Isabel, uma
prova de maratona com muitas subidas, e põe subida nisso! Empurrei
mais do que pedalei, mas consegui concluir bem na categoria estreante
ficando em oitavo lugar. Foi ai que me deu uma animada, porque eram
troféus até o décimo colocado. Ai depois dessa
prova nunca mais parei, sempre treinando cada vez mais em busca de resultados
ainda mais expressivos.
LP – E quais as boas e más lembranças
da sua estréia? Já sei que as subidas são algumas
das más lembranças!
OA – Só tenho boas lembranças!
Apesar da pouca experiência na época, lembro muito bem:
bermudão normal, tênis de futebol society (ajudou muito
enquanto empurrava), capacete meio torto - J - e principalmente o primeiro
pódio! Só boas lembranças.
LP – Haha! Capacete meio torto
é demais! Eu ando de capacete meio torto até hoje! Como
foi ter participado da Maratona 100 km dos Canaviais, que é uma
prova além da média em termos de quilometragem? Você
achou que foi uma prova com de grandes dificuldades técnicas
e muito cansativa?
OA – Essa foi uma das minhas
melhores corridas. Com 60 km de prova arrisquei uma fuga sozinho, o
pelotão não confiou, foi ai que eu percebi e aumentei
ainda mais o ritmo! Faltando uns 20 km havia uma serra muito dura, consegui
manter o tempo do pelotão e ganhar na geral escapado. Mas foi
muito duro andar 40 km sozinho contra um pelotão enorme me perseguindo!
Uma das maiores dificuldades foi o calor e o ar seco de Ribeirão
Preto, mas já fui pra lá sabendo o que eu iria enfrentar.
LP – Percebe-se inclusive que
você, e as vezes mais alguns atletas, se destacam do restante
do pelotão em determinado ponto da corrida. Existe alguma estratégia
nesse sentido? Você se utiliza da energia do pelotão se
preservando para abrir nos quilômetros finais?
OA – Depende muito do tipo de
corrida... quando é mais curta de até uns 40 km, já
tento sair mais forte e aumento o ritmo cada vez mais, como fiz no Endurance
Bike de 2008, logo na largada havia uma "parede" de asfalto
em Morungaba, já ataquei muito forte, e como eu conhecia o circuito,
aproveitei e aumentei o ritmo, ganhando novamente na geral! Agora quando
já é mais longa ou tem muitos atletas de Elite, ai muda
toda a estratégia, porque não adianta querer escapar,
pois com certeza, alguém vai te pegar mais pra frente. Foi o
que aconteceu na última etapa do GP Ravelli de 2008, fiz uma
fuga no meio da prova, andei no meu limite, ai se aproximou a serra
do Oasis Scott, foi quando o Renato Ruiz da equipe de ciclismo da Caloi
conseguiu encostar, eu não tinha muito o que fazer e a melhor
opção, foi ir até o final revezando e que ganhasse
o que tivesse mais preparado! No final não agüentei mais
revezar e ele acabou ganhando na geral. Mas pra mim foi mais uma experiência
positiva.
LP – Lembro-me muito bem do Endurance
em Morungaba, pois logo na primeira subida ali ainda no asfalto, você
já abriu distância do pelotão conforme mostra a
foto abaixo. Ainda em se tratando de competições, considerando
a estrutura, divulgação e nº de participantes, atualmente
quais você considera as principais provas do calendário
nacional?
OA – Hoje em dia a maioria da
provas estão sendo bem divulgadas, mas em minha opinião
uma das melhores estruturas é a do Big Biker, uma prova toda
informatizada, com uma ótima infra-estrutura, cidades com hotel
e pousadas, e sem contar o número de participantes, uma média
de 800 atletas. A outra que está vindo no mesmo caminho é
o Endurance Bike, organizada pelo Sandro Montico, que a cada ano mostra
que a prova veio pra ficar e entrar para o calendário de todos.
LP – Em recente entrevista realizada
com nosso amigo André Melo da equipe Greenbikers, ele disse que
os valores cobrados nas inscrições de algumas competições
são altos, opinião compartilhada por mim também.
Qual sua opinião a respeito disso? Você também acredita
que alguns organizadores se preocupam mais com seu lucro do que com
a qualidade da prova?
OA – Os custos são altos
porque para manter uma estrutura grande, também é caro,
ainda mais quando é informatizada, com um kit com camisa, garrafa,
frutas e isotônico na chegada! Tudo isso vale pelo valor da inscrição,
mas não são todas as provas que são assim. Se todos
os organizadores pensassem mais com a qualidade da prova, automaticamente
o lucro acabaria vindo junto com o aumento do número de participantes,
e conseqüentemente, melhorando o nível do mountain bike
no Brasil.
LP – Falando em melhorar o nível,
em sua opinião, quais são os atletas que mais tem se destacado
atualmente e quais você acredita que terão um futuro promissor
dentro do nosso esporte, no cenário nacional?
OA – Acredito no Rubinho, ele
está em um nível acima de todos no Brasil, e vai representar
muito bem nosso pais esse ano no exterior.
LP – Muito bem Orlando! QUANTO
MAIS VOCÊ SOFRER NOS TREINOS, MENOS SOFRERÁ NAS CORRIDAS!
Este é o seu lema?
OA – Sim, é o que eu penso!
Tento dificultar ao máximo meus treinos sempre simulando as dificuldades
das provas! Isso para mim ajuda muito, pois sempre chego nas corridas
com o dever cumprido dos treinos.
LP – Gostaria que você
nos falasse sobre isso, sobre como e onde são os seus treinos?
Asfalto, terra? Quilometragem por semana, enfim...
OA – 90% dos meus treinos são
feitos no asfalto com a speed, sempre fazendo quilometragem alta com
bastante subidas, dando uma média de 3 a 4 horas por dia, isso
dependendo muito da próxima corrida. Ai quando a corrida se aproxima
sempre rodo a semana que antecede com a mountain bike.
LP – E o que você espera
para este ano de 2009? Algum grande desafio, alguma corrida em especial
a ser conquistada?
OA – Este ano vai ser um pouco
mais difícil, pois vou tentar defender meus títulos na
Copa Endurance, nos 100 km dos Canaviais, no GP Ravelli, no Bike Man,
e manter os bons resultados durante o ano inteiro.
LP – Gostaria de saber quais
são seus patrocinadores e que tipo de patrocínio eles
lhe oferecem?
OA – Desde agosto de 2007 estou
com o patrocínio da loja CicloRavena, localizada em Moema - SP,
onde tenho um ótimo apoio de peças e um ótimo suporte
e infra-estrutura nas corridas. Conto também, desde 2008, com
a parceria entre a CicloRavena e a Scott, onde me oferecem vestuário,
capacete, meias, sapatilha e a Scott Scale LTD. O capacete é
o modelo Fuga 2009, o mesmo usado pelo time profissional Scott-Swisspower
MTB Team, e a ProShock, que me oferece a suspensão ProShock One
Air, uma das mais leves do mercado. Agora para o ano de 2009 pretendemos
fechar novas parcerias com marcas que a loja representa para darmos
continuidade aos ótimos resultados nas competições.
LP – Scott Scale LTD.?! Essa
é top hein... Você já esta treinando com a LTD.
2009? O que você poderia nos falar sobre essa bike?
OA – Scale LTD., meu sonho desde
quando comecei a pedalar... Hoje posso falar como é pedalar numa
bike top, principalmente em relação ao conforto! É
impressionante como o carbono absorve as pequenas vibrações
do terreno e principalmente do peso. A minha é uma LTD. com freios
V-brake e o peso está abaixo dos 9 kg, onde ajuda muito em longas
subidas e em trechos mais técnicos... resumindo, uma verdadeira
máquina.
LP – Ok Orlando! Além de ser mountain
biker, quais são suas outras atividades fora do esporte? Você
trabalha, estuda...?
OA – Faço faculdade a
noite, estou no último semestre do curso de Sistemas para Internet,
e ultimamente estou trabalhando em casa com desenvolvimento de sites
de jogos.
LP – Gostaria de saber qual a
participação e a importância de sua família
em sua trajetória como mountain biker? Seus pais ainda hoje o
acompanham na maioria das provas?
OA – Meus pais me levaram só
na primeira corrida, a partir da segunda já fui com a turma da
minha antiga equipe. Mas meus pais sempre estão me apoiando e
torcendo por bons resultados. Hoje em dia eles vão sempre me
ver sofrer um pouco no 6 Horas e 12 Horas, organizados pelo Sampa Bikers,
onde corro sempre na categoria solo.
LP – Antes de finalizarmos, você
gostaria de acrescentar algo mais que não tenhamos mencionado
no decorrer da entrevista?
OA – Acho que deu pra mim falar
um pouco de quando comecei e também dos equipamentos que estou
usando atualmente. Pra finalizar só quero dar uma dica pra quem
está começando: o mountain bike é um esporte muito
difícil, e é preciso ter muita dedicação
com os treinos, e muito treino!!! E também muita persistência,
pois só assim, com o tempo, os resultados e os primeiros apoios
aparecem, basta ter força de vontade.
LP – Maravilha Orlando, mais
uma vez obrigado pela entrevista e desejo muito sucesso a você
e a todos da Cicloravena!
OA – Eu e toda equipe CicloRavena
agradecemos a oportunidade... até a próxima competição,
valeu!!!

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