Por Ivan Alves
A prática de 30 minutos diários ajuda a combater doenças
crônicas como obesidade, hipertensão e diabetes. De quebra,
você estará investindo em uma alternativa de transporte
inteligente para fugir dos congestionamentos.
Aliar a prática esportiva à rotina
das grandes cidades é uma tarefa árdua. Reunir energias
para encarar exercícios antes ou depois de um dia de trabalho
e de horas preso no trânsito é uma atitude louvável.
A complicada rotina dos grandes centros faz que cada vez mais pessoas
procurem alternativas para manter a saúde em alta. Adotar a bicicleta
como meio de transporte aparece como uma saída de multibenefícios:
faz bem ao corpo e à mente, poupa tempo, diverte e não
polui o ambiente.
Segundo Páblius Staduto Braga da Silva,
médico do esporte do Hospital 9 de Julho, pedalar com frequência
combate a obesidade e a pressão alta. "O corpo submetido
regularmente aos treinos recorre à gordura corporal como fonte
energética, fazendo que os praticantes percam peso e aumentem
a resistência". O especialista aponta a atividade como uma
aliada contra o diabetes. A doença se dá pela baixa produção
de insulina no organismo, uma das substâncias responsáveis
por metabolizar o açúcar para a corrente sanguínea
e mantê-lo em níveis normais. O exercício, por sua
vez, faz que o coração do praticante trabalhe melhor e
ele precise de menos insulina; fator que também colabora para
que o oxigênio chegue mais facilmente aos músculos, ajudando
a controlar a pressão arterial.
Pedalar só faz bem
Outra boa notícia: não é necessário
se submeter a fortes cargas para obter resultados para a saúde.
De acordo com Silva, o ideal é fazer exercícios em um
ritmo confortável para o corpo. "Os ganhos vêm com
a prática frequente e não com a intensidade". Sessões
de 30 minutos, repetidas cinco vezes por semana, já oferecem
ótimos frutos. Não há uma receita comum para determinar
o quadro de evolução como "aumente um quilômetro
a cada dez dias". Cada pessoa tem seu biótipo e rotina de
treino.
Portanto, a regra é começar devagar. Nesse
contexto, a ergométrica aparece como uma boa solução.
"Ela possui comandos de velocidade e de carga ajustáveis
que facilitam a dosagem de energia e de esforço". É
uma boa opção para quem não quer se arriscar no
trânsito urbano.
Antes de começar
Se a ideia vai além de um passeio leve e esporádico
nos finais de semana, alguns exames podem ser necessários. "Candidatos
com mais de 45 anos, fumantes, sedentários e com histórico
familiar de morte súbita, diabetes, dislipidemia, hipertensão
arterial, doenças coronárias e vasculares e tabagismo
devem consultar um especialista para evitar problemas", recomenda
Daniela Fernanda Alli Hermely, cardiologista da Unidade Radiológica
Paulista. É o médico quem vai determinar a necessidade
de avaliações complementares, como teste ergométrico,
eletrocardiograma, hemograma, função renal, glicemia e
ecocardiograma.
"Pedalar é uma atividade que traz
saúde para a mente e melhora a qualidade do sono", indica
Daniela. Os iniciantes precisam de um a dois meses para a adaptação
respiratória e muscular. "Comece em lugares planos, para
evitar esforço excessivo nas subidas", diz.
O que você precisa saber
Além dos cuidados de segurança,
o ciclista deve estar atento ao seu bem estar. "A hidratação
é fundamental, especialmente durante a atividade. Beba água
antes de sair e leve sempre uma garrafa para repor o líquido
consumido enquanto pedala", indica Páblius Staduto Braga
da Silva, médico do esporte do Hospital 9 de Julho. A alimentação
também deve ser controlada. Não saia depois de fazer alguma
refeição mais pesada, como almoço. Evite comidas
gordurosas e que dificultem a digestão antes de pedalar. E mais:
"Nem pense em pedalar sem filtro solar", avisa o médico


De casa para o trabalho
Entre os adeptos está a analista de seguros Beatriz
Teruel, ciclista há dois anos, que pedala de sua residência
até o trabalho, três vezes por semana, há dois anos.
"Os intermináveis engarrafamentos me irritam. Agora, além
de evitar o estresse, eu ganho tempo e exercito meu corpo". A ciclista
encara, diariamente, um percurso de 21 km de casa ao escritório.
De carro, esse trajeto é percorrido, geralmente, em 1 hora e
10 minutos. De ônibus o tempo sobe para 1 hora e 40 minutos. "Meu
recorde pedalando é de 48 minutos, mas em média eu concluo
em 50 minutos", comemora.
Adotar uma "magrela" como meio de transporte
age como um estimulante psicológico. "Eu fico mais bemdisposta
e trabalho mais feliz. Agora sou atleta", comemora Beatriz.
"Os intermináveis engarrafamentos
me irritam. Agora, além de evitar o estresse, eu ganho tempo
e exercito meu corpo"
Vá com segurança
Andar de bicicleta por ruas urbanas pode ser arriscado.
Entretanto, Beatriz revela que nunca sofreu acidente indo ou voltando
do escritório. "Respeitar as leis de trânsito é
uma regra essencial para garantir a segurança, especialmente
em uma cidade de movimento intenso como São Paulo". Segundo
balanço da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a
capital paulista registrou 690 mortes de janeiro a junho deste ano.
Nesse período foram 29 acidentes envolvendo ciclistas.
Os grandes centros são pobres em ciclovias. O
risco aumenta diante do mau preparo dos condutores. "A principal
causa de acidentes envolvendo ciclistas é a falta de respeito
dele, dos motoristas e de motociclistas", aponta Marcos Mazzaron,
diretor da Federação Paulista de Ciclismo. Algumas pessoas
acham que rodar no contrafluxo é mais seguro. Não é.
Será sempre mais fácil para o condutor do veículo
fazer uma manobra para evitar um acidente quando ele vem de trás.
Mais ciclovias
Algumas empresas apoiam os funcionários- ciclistas.
"Reformamos o vestiário, instalamos armários e um
bicicletário para incentivar nossos colaboradores a optar por
um transporte mais saudável e não poluente", conta
Fábio Luchetti, vice-presidente da Porto Seguro. O executivo
aderiu à campanha até ficar sem tempo. "Sinto falta,
pois é uma atividade que quebra a rotina e era minha alternativa
para os dias de rodízio".
Mais ciclovias Algumas empresas apoiam os funcionários-
ciclistas. "Reformamos o vestiário, instalamos armários
e um bicicletário para incentivar nossos colaboradores a optar
por um transporte mais saudável e não poluente",
conta Fábio Luchetti, vice-presidente da Porto Seguro. O executivo
aderiu à campanha até ficar sem tempo. "Sinto falta,
pois é uma atividade que quebra a rotina e era minha alternativa
para os dias de rodízio".
fonte: revistasaude.com.br
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