Objetivo foi conhecer unidades de
conservação e práticas de sustentabilidade
por: Elida Oliveira
“Quien no conoce el bosque del sur de Chile,
no conoce este planeta”, escreveu o poeta Pablo Neruda no livro
de memórias Confesso que vivi, de 1974. Instigados por imagens
de vulcões, lagos e um emaranhados verdes descritos pelo autor
chileno, um grupo de estudantes-ciclistas da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC) planejou uma expedição pelo país
espremido entre os Andes e o Pacífico. O meio de transporte?
Bicicletas.
As férias de Maurício Faraon, de 25 anos,
estudante de Engenharia de Produção; Rafael Pereira, de
23 anos, de Administração de Empresas; Renan Leite dos
Santos, de 23 anos, de Geografia; Leonardo Sanches Lima, de 29 anos,
pós-graduando em Engenharia Mecânica; Daniel Ferreira,
24, aluno em Engenharia Sanitária e Ambiental; e o cinegrafista
e designer gráfico Alexandre Brandão, de 31 anos, foram
de pedaladas e aprendizagem sobre unidades de conservação
e práticas de sustentabilidade. Os alunos-ciclistas, que percorreram
trajetos entre Buenos Aires e Ushuaia, devem chegar esta semana de volta
a Florianópolis.
O projeto, chamado EcoAustral2010, está vinculado
ao Núcleo de Estudos Ambientais da UFSC (Neamb), que presta consultoria
para a implantação de uma unidade de conservação
na região de Itapema (SC). “Queremos divulgar na universidade
as práticas que estão acontecendo no Chile”, explica
Maurício. “Por sermos um grupo multidisciplinar, cada um
verá um ponto diferente nas unidades em que passarmos.”
Tudo está sendo devidamente documentado em foto e vídeo,
que serão depois expostos no Brasil. De acordo com Maurício,
o intuito é conhecer práticas de manejo, gestão
e os recursos empregados para mantê-las. Eles defendem que as
bicicletas são a melhor maneira de conhecer unidades de conservação
por não serem poluentes e possibilitarem um contato mais próximo
entre viajantes e natureza.
Para Rafael Pereira, o que o motiva é a viagem em si e o que
verá de diferente. “Quero ir ao extremo do continente e
conhecer a situação dos parques nacionais de proteção
ambiental”, diz. Aos 23 anos, esta é a primeira expedição
da qual participa. “Fiquei impressionado pela hospitalidade dos
argentinos e com as belezas naturais da Patagônia.”
O estudante de Geografia Renan dos Santos aproveitou
para estudar o clima. “É uma parte importante da viagem
que, se não planejada, pode ser um empecilho. No primeiro dia
pedalamos por longos períodos montanha acima, com vento, chuva
e frio (próximo a 5 graus). A preparação é
fundamental.”
Leonardo Sanches, mestrando em dinâmica veicular
sobre duas rodas, aproveita para ver na prática o que conhece
a teoria. “As situações mecanicamente inusitadas,
o planejamento logístico e o convívio social são
as três frentes que me fazem aprender mais durante a viagem.”
Durante a expedição, o grupo entrará
em contato com o projeto Santiago en Bicicleta, da cidade de Santiago,
no Chile, iniciativa que pretende triplicar a malha cicloviária
da cidade.
O cronograma começou em outubro, com a definição
dos objetivos e planejamento do roteiro. Em novembro, foi feito o levantamento
de equipamento e a previsão de custos da viagem. No mês
seguinte, buscaram patrocínio, contataram parques e reservas,
organizaram os equipamentos e fizeram o itinerário. O fim da
viagem está previsto para a segunda quinzena de fevereiro, quando
será feita uma mostra fotográfica e a finalização
do documentário.
Os viajantes dizem o que é imprescindível
em uma expedição. Confira:
Nas bikes:
- Bicicletas com quadros com rosca: ideais para a troca de pneus sem
retirada do bagageiro
- Alforges: bagageiros impermeáveis e reforçados
- Manter a bagagem o mais próximo possível do solo: isso
favorece a estabilidade e a dirigibilidade da bicicleta
- Fitas antifuros nos pneus: garantem maior durabilidade
No trajeto:
- Ônibus: confira com antecedência se os ônibus utilizados
possuem bagageiros amplos, que caibam as bicicletas.
No camping:
- Barracas: devem ser impermeáveis e leves
No percurso:
- Cartões de visita: com nome e e-mail, ajudam a manter o contato
com as pessoas que você for conhecendo na viagem
Lugares para ficar:
- Rio Gallegos: Camping da Associação de Empregados do
Comércio, a três quadras da Rodoviária. Custa 10
pesos por pessoa e outros mais 5 pesos por barraca. A cozinha é
boa, a área bem cuidada e tem até um campo de futebol
- El Calafate: Camping Los Dos Piños tem uma área ampla
para camping, com cozinha e banheiros acessíveis. Custa 20 pesos
por pessoa, em barracas
- Rio Grande: Camping e hostel Willie Camping - Clube Nautico. As acomodações
são ótimas. A cozinha, já equipada com utensílios,
também oferece opção de refeição
pronta. Internet, calefacao, mapas e informações da Patagônia.
fonte: extremos.com.br
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