Do hospital, pouco restou a Murilo Fischer a não
ser lamentar uma queda que o tirou da disputa da tradicional Milan-San
Remo, volta entre as clássicas do ciclismo mundial. No entanto,
os cerca de dois meses afastado das competições podem
resultar em algo positivo para o catarinense e levá-lo à
competição mais famosa da modalidade, a Volta da França.
Se sua temporada seguisse no rumo feito inicialmente,
com o cronograma já discutido com a equipe, o brasileiro integraria
o time da Garmin-Transitions que disputará o Giro d’Itália,
uma das três grandes voltas da temporada, junto com a francesa
e a da Espanha. Fora de ação, no entanto, o saldo pode
ser positivo, ironicamente.
“Quem sabe com isso (a fratura) eu não
acabe sendo direcionado para integrar o time que vai para o Tour. Só
o fato de competir na Volta da França é estar na maior
vitrine do ciclismo. Então, talvez seja uma coisa boa”,
disse Fischer, ainda em tratamento no hospital, sobre um possível
lado positivo de seu acidente.
Ele salientou, no entanto, que as conversas para isso
serão feitas futuramente e não há nada certo para
ele voltar ao Tour após a ausência de 2009. Fischer tem
como melhor posição na prova o terceiro lugar em etapa
da Volta da França de 2007.
Ao contrário do companheiro de seleção e amigo
Luciano Pagliarini, Murilo Fischer não vislumbra uma volta ao
Brasil. Aos 30 anos, pretende manter a carreira na Europa atrás
de sonhos como uma vitória em etapa da Volta da França,
o que ficou próximo em 2007, quando teve uma terceira colocação.
“Minha meta é continuar na Europa, correndo
no circuito profissional. O ciclismo é instável, então
se ficar sem equipe posso voltar para o Brasil. Tenho sempre de estar
preparado para o presente e o futuro”, disse o catarinense, que
elogiou o amigo. “Gostaria de correr no Brasil para ver como está
a organização e a qualidade do nosso ciclismo. O Pagliarini,
mesmo se estivesse fora de forma, seria melhor que todos no Brasil.
Poucos em nível mundial tem a qualidade que o Luciano tem”.
“Eu ia correr as clássicas na Bélgica e estava vendo
se ia para o Girod’Itália. Mas com isso sai do calendário
e devo ficar pelo menos mais uns 40 dias para voltar a pedalar e competir”,
explicou ele.
“Eu estava no quilômetro 150 da San Remo,
que tem um túnel bem pequeno, mas sem iluminação.
Não sei se toquei em alguém ou caíram na minha
frente. Por sorte o lugar era perto do hospital e fui atendido rapidamente,
sem problemas.”
A temporada de 2010 é importante para Fischer,
uma vez que ele aposta em uma nova equipe. Ele, que nos últimos
anos defendeu a Liquigas, passou a correr pela norte-americana Garmin-Transitions,
que também está entre os times de ponta nas competições
da Europa.
Para o brasileiro, a proximidade e o contato humano
são os diferenciais entre os times, vivenciando um ambiente melhor
nesta nova parceria.
Um dos elementos interessantes da Garmin-Transitions não está
relacionado aos seus resultados, mas aos cuidados internos com os ciclistas.
Os integrantes do time são observados de perto, para evitar o
fantasma do doping, que assombrou o ciclismo nos últimos anos.
“A equipe americana é muito diferente das
europeias. Além disso, eles são pioneiros no antidoping
e foram os primeiros a implantaram o controle interno. Além dos
testes feitos pela UCI (União Ciclística Internacional),
gastam cerca de 500 mil euros no controle interno. É muito bacana
ver isso nos dias de hoje”, explicou Fischer.
fonte: Divulgação
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