Pela 3° vez consecutiva,
tivemos o prazer de cruzar a linha de chegada como finishers da Cape
Epic, a ultra maratona de MTB, que tornou-se referencia no segmento.
Com um novo companheiro, o super atleta e também “veterano”de
Cape Epics, Michel Bogli, o Epic Brazil fez uma boa prova, finalizando
em 10°lugar na categoria Máster, que teve alto nível
de competitividade nesse ano. Enfrentamos atletas da África do
Sul (maioria), Nova Zelândia, Bélgica, Alemanha, EUA e
Republica Tcheca, todos com sede de um bom resultado. Comprovando o
nível dos atletas da Máster, a equipe belga 2Xtreme Masters,
nossa conhecida dos outros Epics, disse que veio com esperanças
de andar entre os 40 da geral e de faturar um pódio na categoria
(foram 4° lugar em 2009), acabou a prova em 6° lugar.
Dentre as equipes brasileiras, fomos o terceiro melhor
resultado, sendo que a melhor equipe foi a dos profissionais Hugo Prado
Neto e Uirá de Castro, ambos utilizando bicicletas Specialized
e componentes SRAM.
Nessa edição fomos surpreendidos com 4
pneus furados, algo inédito para o Epic Brazil durante as duas
últimas participações. Dois em um dia, e os outros
2 em etapas diferentes. Isso prova mais uma vez, que apesar de toda
a preparação, cuidado e equipamento escolhido, invariavelmente
alguma coisa vai acontecer durante os 8 dias de prova, pedalando quase
40h por relevo acidentado, sobre solo pedregoso, poeirento, arenoso,
verdadeiramente fora de estrada por quase 70% do percurso com 720km
de extensão.
Fora os pneus, não tivemos sequer um problema mecânico
e nosso equipamento desempenhou espetacularmente. A bordo de duas Specialized
EPIC, uma S-Works 26”e uma Marathon 29”, ambas montadas
com o novo SRAM XX, comentamos algumas vezes o quão boas eram
nossas bikes, por enfrentar tanta “pauleira”, dia apos dia,
sem reclamar e sempre pedindo mais!
As suspensões FSR com amortecedores Brain, dando conforto e controle
o tempo todo, sem interferir na eficiência da nossa pedalada.
E a lendária geometria Specialized, fornecendo segurança
e prazer de pilotagem inigualáveis.
Para nós, usar 20 marchas foi uma surpresa agradável.
Minha bike chegou bem perto da prova e tive somente uma oportunidade
de provar o SRAM XX. Depois de finalizar o Cape Epic utilizando o grupo,
estou plenamente convencido que não precisamos de 27 velocidades
e que as 20 opções bem escalonadas do conjunto de transmissão
XX, são totalmente satisfatórias. Utilizei uma relação
39/26 na frente com um cassete 11-36. Durante toda a prova, senti necessidade
de uma marcha mais pesada em um ou dois trechos mais rápidos,
mas me virei muito bem usando uma cadencia mais alta. Para ilustrar,
isso não representou mais do que 4% de todo o tempo, ou seja,
cerca de 3km!
Um resumo das etapas:
1) Diemersfontain para Ceres
Primeiro dia é sempre um choque para o organismo. Mais de seis
horas de pedal, muito calor, Danny com câimbras e principio de
desidratação no final. Essa etapa ficou na memória
de todos devido a um “maldito”trecho de trilho de trem,
com 7km de extensão, onde somente era possível pedalar
por sobre os dormentes, bem no final do percurso de 117km. Foi um verdadeiro
calvário, especialmente para quem pedalou uma hardtail.
(9°lugar na Máster, 65°na geral)
2) Ceres – Ceres
Um percurso com 75% de singletracks e trechos técnicos, onde
nos demos muito bem, apesar de um final semi-dramatico, graças
a mais uma “surpresinha”do famoso Dr.Evil, desenhista dos
percursos do Epic, que colocou 5km de areia, para dar uma apimentadinha
em um percurso que tinha sido pura diversão até então.
Aumentou o desafio físico bem no final, onde já não
temos muito mais de nós para dar. Isso aliado ao calor que fazia,
sugou todas as energias que ainda restavam para terminarmos mais fortes.
(9° lugar na Máster, 59°na geral).
3) Ceres – Ceres
Originalmente era para ser a etapa mais difícil dessa edição,
mas devido a problemas de acesso a propriedades particulares, a organização
foi forçada a mudar o percurso. Largamos todos no escuro, sabendo
somente a distancia, mas não tendo uma referencia precisa da
altimetria do trajeto.
Foi talvez a etapa mais sem graça da prova toda, com muito estradão
e alta intensidade, que aliado a extensão de 120km, mais o calor,
desgastou bastante e sugou nossas energias a ponto de “cair a
chave geral” do Danny no final da etapa. Ele cruzou a linha final,
reidratou e foi deitar na sombra para comer e recobrar as forças.
(11° na Máster, 68° na geral)
4) Ceres – Worcester
Um dia que não era para ser muito duro, com 86km, temperaturas
mais amenas que os dias anteriores e um perfil altimetrico aparentemente
tranqüilo. Mas não tem dessa não no Cape Epic. Nenhum
dia é fácil. Sempre tem um desafio e o principal adversário
do dia foi o vento. Que em alguns momentos foi camarada, soprando nas
costas em algumas subidas. Mas quando virávamos contra ele…as
pernas gemiam!
Estávamos muito bem nessa etapa e infelizmente fomos prejudicados
com 2 pneus furados, o que nos custou uns 20 minutos de acréscimo
ao nosso tempo total.
(14° na Máster, 104 na geral)
5) Worcester – Worcester
Esse ano o tradicional contra relógio ocorreu na 5° etapa
ao invés de ser o prólogo como nos últimos anos.
A mudança foi muito bem vinda pelos participantes. Alguns puderam
dormir até mais tarde e muitos tiveram muitas horas de descanso
a mais, o que é preciosíssimo, quando se corre uma prova
como o Epic e passa entre 5 e 9h no selim!
O circuito desenhado para essa etapa era puro XC, muito divertido e
exigente. Fizemos um ótimo contra relógio e nosso melhor
resultado na prova.
Michel definitivamente pode ser chamado de um Mountainbiker, pois não
está se intimidando com os trechos técnicos e andando
cada vez mais seguro e rápido.
(8° na Máster, 58° na geral)
6) Worcester – Oak Valley
A etapa prometia ser uma das mais duras desse ano. Com mais de 120km
no sexto dia de corrida, ela tinha tudo para tal. Mas tivemos um atenuante
que foi a largada apos 7km neutros sobre asfalto plano, onde formou-se
um grande pelotão que viajava a mais de 35 km/h até entrarmos
na terra. O que seguiu foi um trecho plano de aproximadamente 20km até
o primeiro ponto de água. Nesse trecho, o ritmo foi alto e continuamos
em pelotão. O que mais impressiona é que ninguém
tira o pé nessas horas. É sofrer na roda ou sobrar!
Nessa etapa o desafio seria no KM 90 onde uma longa subida selecionaria
quem se guardou para o final de quem queimou tudo que tinha até
ali. Passamos bem pelo obstáculo e finalizamos bem a etapa.
(10° na categoria, 66° na geral)
7) Oak Valley-Oak Valley
Pela primeira vez enfrentamos chuva durante uma etapa da Cape Epic.
Essa foi nossa 24° etapa em um Epic e pegamos frio e garoa durante
a etapa. Deve ser coisa desse tal de aquecimento global!
Apesar de ter 20km a menos que o dia anterior, essa etapa foi tão
desgastante quanto a 6°. Os 2160m de ascensão comprovaram
nosso sentimento. Era só 6% a menos que o dia anterior, que foi
20% mais longo. Os números não mentem e as pernas comprovaram
no final.
Tivemos um pneu furado e nossas pernas funcionaram a contento.
(15° na máster e 80° na geral)
8) Oak Valley – Lourensford
Chegou o ultimo dia. A largada é tradicionalmente mais tarde
(8:30) e o clima é de festa. O percurso que tinha sido igual
em 2008 e 2009, teve uma mudança importante nesse ano. Ele foi
em parte muito parecido com o dos anos anteriores, mas teve um desvio
que nos levou a uma longa e cansativa subida, bem acidentada. A beleza
dessa nova parte compensou o esforço e a descida triturou quem
estava de rabo duro, devido a quantidade de buracos e pedras ao longo
de sua extensão. Pela primeira vez vimos animais selvagens. Antílopes,
do tipo Bontebok (nome em Africâner).
Nossa estratégia para o dia – manter nosso 10° lugar,
que estava mais ou menos garantido, visto que o 11° estava distante
e não seria possível buscar o nono, pois ele estava a
mais de 15 minutos na nossa frente.
Mantivemos um ritmo confortável até o final e cruzamos
a linha felizes por terminar mais um Cape Epic. Agora como AMABUBESIS,
os primeiros brasileiros a receber tal titulo, junto com Alfredo Montenegro,
que também se tornou um.
(19° na máster e 99° na geral).
fonte: blogpropartats
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