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Viajar em duas rodas alia lazer e saúde

18/06/2010

Com o cicloturismo, é possível observar paisagens com calma; há percursos com vários níveis de dificuldade

Não precisa ser atleta para viajar com uma magrela; no caso de se cansar, turista pode seguir em carro de apoio

por: Luisa Alcantara e Silva

É cada vez maior o número de turistas que buscam roteiros com passeios de bicicleta. Pedalar pelas vinícolas da França, ou da Toscana, na Itália, ganha mais e mais adeptos. Na atividade conhecida como cicloturismo, o viajante passeia por cidades e vê paisagens no seu ritmo.

"Não é tão rápido quanto o carro, que impede de fazer paradas para foto, nem tão lento quanto ir a pé", diz o escritor, fotógrafo e cicloturista José Antonio Ramalho. A explicação para o aumento da procura por viagens com ciclismo, segundo Rodrigo Taddei, sócio da Bike Expedition (www.bike expedition.com.br), mora no fato de as pessoas estarem "cada vez mais preocupadas em ter qualidade de vida."

A agência de Taddei é uma mostra desse crescimento: ela foi inaugurada em 2005, com apenas um roteiro, pelo sul da França, e hoje, apenas cinco anos depois, oferece percursos em 12 destinos.
Ao lado da Bike Expedition está a Auroraeco (www.auroraeco.com.br) -considerada referência quando o assunto é cicloturismo. Focada no Brasil e na América do Sul, a agência tem entre seus roteiros viagem para Mendoza, na Argentina, por exemplo.

Ela nasceu no ano 2000, oferecendo alguns roteiros para finais de semana e feriados no interior de São Paulo e em Minas Gerais. Dez anos depois, opera passeios de bicicleta no Uruguai, na Argentina, no Chile e no Brasil.

Em 2007, quando se associou à agência norte-americana do ramo de cicloturismo Duvine Adventures (www.duvine.com), organizou seis viagens. No ano passado, foram 40 saídas.

Entrando em forma
Não precisa ser atleta para conhecer lugares sobre duas rodas. Os roteiros normalmente têm diferentes níveis de dificuldade, e mesmo o turista mais sedentário pode se arriscar por algumas horas em um passeio em cima de uma magrela.

"Há roteiros de vários níveis", diz Guilherme Padilha, sócio da Auroraeco. "Então, só precisa ter um condicionamento físico mínimo." Além disso, existe a possibilidade de desistir. Nos passeios organizados por agências de viagem ou hotéis, um carro de apoio segue os ciclistas viajantes. Caso ocorra algum acidente -ou se o turista simplesmente não aguentar mais-, é só colocar a magrela no rack e seguir a viagem no veículo.

Os passeios normalmente são acompanhados por um guia, mas o viajante pode também alugar uma magrela e sair pela cidade -e também fora dela- pedalando.

Mas, lembre-se: o capacete deve ser sempre usado.



Vulcão emoldura percurso no deserto

Depois de quase 17 quilômetros pedalando na aridez do Atacama, grupo se surpreende com lagoas salgadas

No terreno arenoso, trecho final parece mais longo do que é; durante passeio é necessário beber bastante água


Grupo de ciclistas no Atacama faz uma parada enquanto a guia
(à esquerda) explica o percurso de 17 quilômetros; vegetação
rasteira e montanhas contornam a paisagem no trajeto

A reportagem esteve em San Pedro de Atacama, no norte do Chile, para experimentar a modalidade de viagem que inclui no roteiro passeios de bicicleta.

Eram 15h30 quando o grupo de cinco pessoas saiu, levado por uma guia e seguido por uma van com um rack múltiplo. Antes de subir na magrela, a guia distribuiu os capacetes, dizendo que são obrigatórios, e as luvas -boas para evitar calos nas mãos-, opcionais.

Foram 17 km pedalando por paisagens emolduradas por uma linha de montanhas e o vulcão inativo Licancabur. Como o clima é bastante seco, já que se trata do deserto do Atacama, o mais árido do mundo, a guia ficava sempre insistindo para que o grupo se hidratasse.

A regra é: se for pedalar mais de cinco quilômetros, ou mais de 20 minutos, hidrate-se constantemente.
Lá pelo quilômetro dez, a guia fala para o grupo fazer uma parada "naquela árvore, ali na frente".

A árvore parece estar bem próxima mesmo. Ledo engano. Após pedalar muito, a árvore continua sendo uma mancha escura no horizonte bege. Só depois de pedalar cerca de três quilômetros -que no piso árido parecem o dobro-, o grupo chega.

Uma parada para tomar água e dar uma descansada e o grupo volta ao pedal.
Mas, logo em seguida, uma das participantes derrapa no chão arenoso, cai e machuca o tornozelo. A guia, que está mais à frente, vê que algo errado aconteceu e volta. E a van que seguia logo atrás vai socorrer a participante e o marido, que também para e vai ajudá-la.

Recompensa

Os outros três integrantes do grupo seguem viagem. Cansados, depois dos 17 km -em São Paulo, a distância seria o equivalente a uma caminhada de ida de volta entre o Conjunto Nacional, na avenida Paulista, e a entrada principal da Cidade Universitária -o grupo se depara com a laguna Sejas.
A água da lagoa tem concentração de sal três vezes maior que a do oceano, assemelhando-se à água do mar Morto, no Oriente Médio.

É hora de pular na água gelada, antes que o corpo esfrie. Então, a diversão: o corpo flutua na água nesse que é um dos passeios mais concorridos do Atacama. Mas está frio e, poucos minutos depois ninguém aguenta mais.


No dia seguinte, sinto uma leve dor no corpo, de quem ficou pedalando em um terreno irregular, cheio de momentos de trepidação. Mas nada que em algumas horas em território novo não passe.

Com mapa

Dá para fazer passeios sem guia. Em San Pedro de Atacama é possível alugar magrelas -cerca de 7.000 pesos chilenos (US$ 13) por 12 horas- em algumas agências de turismo na rua Caracoles e transversais. Mas não se esqueça de levar uma garrafinha d'água e, tão imprescindível quanto, um mapa da região.

Hidratação e capacete são essenciais

Cicloturismo não exige esforço muito grande, mas preparo pode evitar contratempos, como dores, na viagem

Não existem regras estabelecidas sobre a atividade, mas há recomendações que devem ser seguidas

Para quem se animar e decidir fazer uma viagem cujo roteiro inclua alguns passeios de bicicleta por dia, vale seguir algumas dicas.

Uma das mais importantes é sobre hidratação."Se o percurso tem mais de cinco quilômetros, o turista deve levar água", diz Guilherme Padilha, sócio da Auroraeco.

Outra sugestão é a de José Antonio Ramalho, escritor e fotógrafo, autor dos livros "Guia da Mountain Bike" e "Sete Roteiros de Aventuras". "Se vai fazer uma viagem com três horas de pedal por dia, comece uns dias antes a pedalar por três horas".

Ele lembra da importância do alongamento: "Viagens de cicloturismo não exigem muito esforço, mas o alongamento pode evitar dores".

fonte: folhauol

 

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