Reportagem publicada em 30/07/2010
no Caderno SP
Por Tiago Araújo -
Em meados de 1993, o casal de paulistanos Selma
e Ricardo Cocuzzi encontrou uma criança vivendo nas ruas de Parelheiros,
zona sul da cidade. Sensibilizados com a cena, resolveram levá-la
para casa.
Começava ali a história do Lar Nossa Senhora Aparecida,
que passou a abrigar cada vez mais crianças abandonadas.
No início, todos residiam em uma casa em Parelheiros.
Mas número de crianças foi aumentando e o casal resolveu
se transferir para Santo Amaro, onde possuíam uma loja especializada
em bicicletas.
Em 1997, já com a guarda permanente das crianças,
Selma e Ricardo conseguiram uma parceria para a construção
de uma casa novamente em Parelheiros, cujo novo espaço possibilitou
o desenvolvimento do trabalho com maior conforto.
Conscientes do desafio de ajudar na recuperação
de crianças com problemas emocionais e físicos, Ricardo,
ex-ciclista, resolveu utilizar o esporte como forma de disciplina e
passou a ensiná-los a prática do ciclismo. ''O esporte
é a melhor maneira de mantê-los concentrados, visando à
recuperação da auto-estima e reinserção
na sociedade'', declara Ricardo.

o casal que começou tudo - Selma e Ricardo
Abrigando atualmente um total de 18 jovens e crianças,
o Lar possui uma ala feminina e outra masculina, sala de informática,
oficina de costura, cozinha, sala de troféus e até uma
pista de corrida de mountain bike.
Todos os serviços necessários para a manutenção
do espaço são feitos pelos fundadores e pelos jovens que
moram no local. Desde a preparação de alimentos, limpeza
doméstica, serviços de costura, a fabricação
de pães, até o reparo de eletrodomésticos.
Porém, todos eles, inclusive as meninas, aprendem a consertar
bicicletas. ''Traga uma bike para consertar por aqui e você verá
que rapidamente qualquer um deles resolve o problema'', afirma Ricardo.
O casal que deu início a tudo
O Lar se mantém com os recursos conquistados
com a venda e reparo de equipamentos de ciclismo, máquinas de
lavar roupas, banners, letreiros e realização de bazares.
“Vivemos do nosso trabalho. Às vezes recebemos doações.
Mas, se dependesse apenas disso, não conseguiríamos nos
manter'', lamenta Selma.
Os frutos do trabalho - As crianças e jovens,
além de aprenderem a consertar bicicletas, são treinadas
por Ricardo, que utiliza a vivência que teve como ciclista na
descoberta de novos talentos. ''Eles dispõem de todos os equipamentos
necessários para a prática do esporte; não medem
esforços nos treinos'', conta Ricardo.
Nem todos são especialistas, mas o ciclismo dita
o ritmo da casa. ''A gente só adquire a técnica caindo,
mas isso faz parte do esporte’’, relata Anderson, de 24
anos, residente do Lar. Os resultados podem ser conferidos na sala repleta
de troféus e medalhas.
No dia anterior à realização dessa
matéria, o casal havia levado ao aeroporto a jovem Jaqueline
Leal, de 13 anos, que embarcava rumo ao Canadá. Lá, ela
pretende aperfeiçoar suas habilidades como ciclista, podendo,
futuramente, render conquistas ao esporte brasileiro. Além dela,
o jovem Luiz Henrique, de 16 anos, filho do casal, também honra
o nome do Lar e está na Suíça treinando e competindo
por toda a Europa. ''É muito gratificante vê-los no pódio,
felizes com suas conquistas '', declara Selma.
Trilha de treinamentos: campeões em formação
Outro grande exemplo da importância desta entidade
é Cleiton Santos, segunda criança adotada pelo casal,
quando tinha 12 anos. Hoje, com 28, ele foi nomeado presidente da Instituição
e está graduando-se em Educação Física.
Cleiton utiliza os conhecimentos adquiridos no auxílio às
crianças. ''A Selma e o Ricardo são como pais para mim.
Minha vida é aqui. Tudo o que faço é pensando no
desenvolvimento do Lar'', declara Cleiton.
Já passaram mais de 300 crianças pela
entidade. Alguns se tornam ciclistas. Outros conseguiram o carinho de
uma família, modo como os fundadores enxergam a instituição.
“Nem todos se tornam ciclistas profissionais, mas aqui eles aprendem
valores que nas ruas nunca conheceriam'', conclui Selma.
vejam a matéria no link: cadernosp.com.br/bairros
Agradecimentos de toda a
Equipe do Lar a Tiago Araújo e a Vicent Sobrinho pela publicação
dessa reportagem! Muito Obrigada!
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