por: Claudio
Andar de bicicleta não cura a doença mas dá aos
pacientes uma oportunidade de se livrarem dos sintomas e de fazerem
exercício.
Ao ler o "The New England Journal of Medicine",
achei esta matéria muito interessante e gostaria de dividi-la
com vcs aqui do Bikers Brasil.
Bastiaan R. Bloem, médico do Radboud University Nijmegen Medical
Center, na Holanda, pensou que já tinha visto de tudo nos anos
que passou a cuidar de pacientes com a doença de Parkinson. Mas
o homem de 58 anos que o foi ver recentemente revelou-se uma surpresa
completa.
O homem tinha a doença de Parkinson há
dez anos, que progredira até o afectar severamente. A Parkinson,
uma desordem neurológica na qual algumas das células cerebrais
que controlam o movimento morrem, tinha-o incapacitado de andar. Tremia
e só conseguia dar alguns passos antes de cair. Ficava parado
no mesmo sítio, sentindo-se como se os pés tivessem sido
pregados ao chão.
Mas o homem contou algo espantoso a Bloem: disse que
fazia exercício regularmente - era, na verdade, um ciclista -,
algo que não devia ser possível em pacientes no seu estado
da doença, pensou Bloem.
"Disse Ainda ontem andei dez quilómetros
de bicicleta", afirmou Bloem. "Disse que andava quilómetros
e quilómetros na sua bicicleta todos os dias."
"Eu disse Isso não é possível",
lembrou Bloem, professor de neurologia e director clínico do
Centro de Parkinson do hospital, em entrevista telefónica. "Este
homem tem Parkinson em estado terminal. É incapaz de andar."
Mas o homem estava desejoso de o demonstrar, pelo que
Bloem o levou até à rua, onde a bicicleta de uma enfermeira
estava estacionada. "Ajudámo-lo a subir para a bicicleta,
demos-lhe um pequeno empurrão e ele lá foi a pedalar",
contou Bloem. Guiou, fez até uma inversão de marcha, e
tinha tudo sob controlo, sem que qualquer dos seus sintomas de Parkinson
fosse visível. Mas, assim que homem desceu da bicicleta, os seus
sintomas voltaram. Imobilizou-se.
Bloem fez um vídeo e tirou fotos do homem a tentar
andar e depois a guiar a bicicleta. As fotografias foram publicadas
no número de 1 de Abril do "The New England Journal of Medicine".
Depois de conhecer este caso, Bloem questionou outros
20 doentes muito afectados pela doença sobre andar de bicicleta.
Ficou a saber que todos o conseguiam fazer, embora a razão para
isso não fosse nada clara.
Bloem e outros especialistas em Parkinson ficaram espantados.
As pessoas com a doença de Parkinson conseguem frequentemente
dançar, correr, andar suavemente e fazer movimentos complexos
durante alguns minutos se lhes derem os sinais apropriados - pistas
visuais e emotivas. Há exemplos famosos, como o de um grupo de
pacientes com Parkinson que foi apanhado num incêndio e conseguiu
descer as escadas e fugir, imobilizando-se assim que chegou à
rua.
Mas este efeito, conhecido por cinésia paradoxal,
não dura muito tempo. Guiar durante muitos quilómetros
é completamente diferente de andar alguns minutos. E, segundo
Bloem, até agora não se sabia que doentes com Parkinson
podiam andar de bicicleta.
"Esta observação é tão
original e entusiasmante que consigo audiências espantosas quando
mostro este vídeo durante as minhas palestras, mesmo quando a
plateia é composta por especialistas de doenças do movimento",
afiançou Bloem.
Obviamente, acrescentou o médico, não
se trata de defender que doentes de Parkinson saltem para cima de bicicletas
e vão passear para estradas movimentadas. Eles precisam de ajuda
para se montarem na bicicleta e podem arranjar problemas se tiverem
de parar em semáforos. Necessitam de guiar em zonas seguras.
Bloem recomenda que os pacientes andem em triciclos ou utilizem bicicletas
fixas ou suportes - aparelhos que transformam bicicletas de rua em fixas.
Ainda assim, disse, andar de bicicleta dá aos
pacientes uma oportunidade de se livrarem dos sintomas enquanto estão
a pedalar, parecendo e sentindo-se normais, e fazendo algum verdadeiro
exercício cardiovascular mesmo quando a doença está
tão avançada que nem conseguem andar.
Os peritos em Parkinson ficaram intrigados. "Isto
é algo impressionante", disse o dr. C. Warren Olanow da
Mount Sinai School of Medicine. "Ele descreveu um caso extraordinariamente
interessante e podemos aprender algo com isto."
Bloem considerou que uma explicação para
esta descoberta pode estar no facto de andar de bicicleta utilizar uma
parte diferente do cérebro da utilizada quando se caminha, a
qual pode não ser tão severamente afectada pela doença
de Parkinson. Ou pode suceder que a pressão rítmica dos
pedais nos pés dos pacientes dê uma pista ao sistema nervoso
que permita o movimento de pedalar.
É claro que andar de bicicleta não cura
os pacientes. Para a drª Lisa M. Shulman, professora de neurologia
na University of Maryland School of Medicine, se a maior parte dos pacientes
muito afectados pela doença de Parkinson é capaz de andar
de bicicleta "é uma questão empírica que necessita
de ser testada". E aqueles que não podem fazer um tipo de
exercício poderão ser capazes de fazer outro.
Bloem acredita que o exercício regular pode abrandar
o progresso da doença de Parkinson. Acontece nos ratos e ele
está a dirigir um ensaio clínico em 600 pacientes para
ver se o exercício abranda a doença nos humanos. Entretanto,
Bloem declarou saber que ainda há um longo caminho a percorrer
entre a observação e o facto científico. Mas, segundo
ele, isso não significa que a observação de um
caso seja de todo inútil. "Acredito piamente que os casos
únicos podem fornecer provas cruciais", afirmou Bloem. "Mesmo
pensando que este é só um paciente, é muito, muito
provocante."
veja o video no link:
video.nytimes.com
Valeu galera e um grande abraço,
fonte: bikersbrasil
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