
por: Marcio Ravelli
As principais conquistas que eu tive enquanto competia como atleta profissional
foi no Mountain Bike Cross Country, uma modalidade que depende menos
da estratégia de equipe quando comparado ao ciclismo de estrada.
Esta afirmação esta baseada na dificuldade técnica
dos circuitos associado às características individuais.
Eu, por exemplo, sempre gostei de percursos repletos de singles tracks
e com muitas subidas, pois consigo desempenhar muito bem nestas condições.
Neste tipo de situação é mais difícil os
atletas conseguirem se manter juntos, por isso torna-se bastante individual.
No entanto, nas competições de Mountain
Bike maratona o trabalho de equipe acontece com mais freqüência,
foi assim com Odair Pereira e Edivando de Souza Cruz, alguns dos meus
ex-companheiros de equipe. “Segurar o pelotão”, buscar
uma fuga, proteger o companheiro durante a prova para que chegue descansado
nos trechos de maior dificuldade do percurso são algumas das
ações consideradas coletivas.
Não pensem que é algo extremamente simples
fazer uma equipe competir taticamente da maneira correta, pois os atletas
têm que conhecer as limitações e as qualidades dos
companheiros, saber qual o tipo de ação executar o momento
certo e ter algo que eu considero fundamental, a comunicação
eficaz.
A UCI proibiu a utilização de rádios
nas competições de ciclismo ciclistas de estrada e, com
isso, as instruções do técnico serão limitadas
e o papel dos “líderes” dentro do pelotão
terá maior importância.
Na segunda etapa da Claro 100K (prova de ciclismo de
estrada) competi, a convite do meu treinador (Helio Souza), na categoria
escuderia representando a HE TREINAMENO ESPORTIVO. Para esta categoria
o regulamento da competição é que a equipe tem
quer ser composta de 4 ciclistas, que não estejam federados na
categoria elite em 2010 e o tempo final da equipe será o da sexta
roda, ou seja, o terceiro ciclista que completar o percurso. Diante
disso, eu e mais três jovens atletas partimos para o desafio de
completar 6 voltas num percurso com muitas subidas. Antes da largada
traçamos as estratégias juntamente com o Helio Souza e
nosso objetivo foi o de completarmos todos juntos e todo esforço
individual deveria ser em prol do grupo. Logo na primeira volta dois
atletas da escuderia caíram e eu segui no pelotão principal
juntamente com o outro integrante, o que fez distanciarmos uns os outros.
No início da segunda volta o Helio pediu para
que eu esperasse os demais integrantes, pois a única chance de
recuperarmos o tempo que ficamos para trás seria revezando e
pedalando como equipe. Quando conseguimos unir os quatro integrantes
da escuderia iniciamos uma perseguição e foram aproximadamente
2 horas de muito esforço, mas a nossa vantagem foi que éramos
os únicos que estávamos pedalando em conjunto.
Quando terminarmos a prova não sabíamos
do resultado, pois eram muitos atletas chegando sem seus companheiros
de equipe e não sabíamos qual escuderia tinha completado
com pelo menos 3 integrantes. Passado alguns minutos recebemos a notícia
que ganhamos e tenho certeza que tudo isso foi possível graças
ao trabalho de equipe, a união entre os integrantes, a comunicação
durante prova, o esforço direcionado para o coletivo, tudo isso
que relatei neste texto.
fonte: ciclismo.br
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