Chegada emocionante com Thor Hushovd
Geelong, Austrália – 262,7km
Com um lindo dia, os melhores atletas da Elite
do ciclismo mundial encararam a prova mais esperada da competição.
Saindo de Melbourne, os 178 pilotos encararam os 262,7km. Eles teriam
que concluir 83km de prova de estrada até chegarem num circuito
de 15.9km. E só depois de 11 voltas, o campeão seria anunciado.
A grande novidade deste ano foi a exclusão dos rádios
comunicadores entre os atletas e equipes de apoio.
Assim que foi dada a largada, a seleção
australiana assumiu a liderança da prova, seria uma forma de
boas vindas para o excelente público que prestigiava nesta fase
da competição.
Depois de alguns quilômetros, o colombiano Diego
Alejandro Martinez Tamayo foi o primeiro a atacar na subida da ponte.
O irlandês Matthew Brammeier acompanhou. Logo em seguida, o venezuelano
Jackson Rodriguez e mais outro também atacaram. O pelotão
não se importou com esta fuga.
Ucraniano Oleksandr Kvachuk era o “outro”
da fuga. Com os outros três, ele se revezou nesta primeira fase
da prova para manter uma boa diferença do pelotão.
Com 20 minutos de prova, o sérvio Esad Hasanovic
também atacou para alcançar o pelotão. O marroquino
Mohammed Said Elammoury também foi na sua cola até alcançá-los.
Os líderes já colocavam cinco minutos
de diferença do pelotão. E com mais alguns minutos, chegou
há emplacar mais 10 minutos. Somente com um pouco mais de uma
hora de prova, o pelotão resolve aumentar o ritmo, lá
nos 50km.
Passadas às horas, os primeiros pilotos iniciam
a contagem da primeira volta, com 23 de minutos de diferença
do pelotão: Oleksandr Kvachuk (Ucrânia), Mohammed Said
Elammoury (Marrocos), Mateus Brammeier (Irlanda), Diego Alejandro Martinez
Tamayo (Colômbia) e Jackson Rodriguez (Venezuela) eram os líderes.
Agora, começava outra prova. A seleção
que apresentar a melhor estratégia, teria grandes chances de
levar o título ao seu país. O ritmo da prova aumenta e
tudo muda agora.
Um grupo de 25 atletas se desmancha do segundo pelotão
e parte para o ataque. O atual campeão mundial, Cadel Evans,
está entre eles. As seleções começam suas
estratégias e na segunda volta registrada, já emplacam
uma diferença de 18 minutos aos líderes.
Com o decorrer da prova, a diferença do pelotão
para os líderes começava a cair. E já na terceira
volta, o registro era um pouco mais de 15 minutos. Cada seleção
fazia sua parte para alcançá-los. A Suíça
emplacou um dos melhores ritmos, junto aos donos da casa.
O pelotão caiu na real somente depois de três
horas e meia de prova e partiu para alcançar os líderes:
Oleksandr Kvachuk (Ucrânia), Mateus Brammeier (Irlanda), Diego
Alejandro Martinez Tamayo (Colômbia) e Jackson Rodriguez (Venezuela).
O marroquino não suportou a pressão e ficou para trás.
Os passistas das seleções começam
entrar em ação. Espanhóis, italianos, australianos
são os atletas da frente, como se fossem uma equipe independente.
Tudo para diminuir a diferença, que começava cair. A Itália
assume a ponteira do pelotão com quatro pilotos.
Uma batida entre os carros da Eslovênia e França
derrama óleo no chão. Equipes e organização
tentam limpar a área antes que os pilotos passem novamente naquele
ponto. Mais adiante, os líderes registram mais uma volta.
Mais atrás, dois pilotos da Espanha assumem o
pelotão: Imanol Erviti Ollo e Francisco José Ventoso Alberdi.
Lars Boom (Holanda) e Stuart O'Grady (Austrália) também
estão na cola. Aglomerados, os espanhóis e australianos
são os destaques. Ambas seleções assumem o ritmo
da prova. A diferença já cai para 10m:40s. Espanha, Austrália,
Itália, Suíça e Holanda são as seleções
que estão completas no pelotão de 40 pilotos.
O tempo passava e as voltas eram computadas. A diferença
já caía ainda mais. O pelotão se destrinchava novamente
e consigo, as diferenças também. Naquela altura da prova,
a diferença já chegava nos 7 minutos.
Na sétima volta registrada, o líder isolado
é o ucraniano Oleksandr Kvachuk (Ucrânia), que encara o
circuito praticamente sozinho e concluía mais uma volta. Mateus
Brammeier (Irlanda) e Jackson Rodriguez (Venezuela) ainda estão
juntos, mas com uma diferença considerável para o líder.
A parcial naquela altura da prova era a seguinte:
1 Oleksandr Kvachuk (Ucrânia);
2 Diego Alejandro Martinez Tamayo (Colômbia) 2:02 minutos;
3 Mateus Brammeier (Irlanda), Jackson Rodriguez (Venezuela) 4 minutos;
O pelotão era formado com: Leif Hoste (Bélgica),
Greg Van Avermaet (Bélgica), Philippe Gilbert (Bélgica),
Tony Martin (Alemanha), Cadel Evans (Austrália), Stuart O'Grady
(Austrália), Simon Gerrans (Austrália) , Haimar Zubeldia
Agirre (Espanha), Wout Poels (Holanda), Vincenzo Nibali (Itália),
Jose Rodolfo Serpa Perez (Colômbia), Hagen Edvald Boasson (Noruega),
Francesco Gavazzi (Itália), Filippo Pozzato (Itália),
Ruben Plaza Molina (Espanha), Chris Sörensen (Dinamarca) Trofimov,
Yury (Rússia), Michael Albasini (Suíça), Yoann
Offredo (França), Lars Boom (Holanda), Giovanni Visconti (Itália),
Nicolas Roche (Irlanda), Garderen Van Tejay (Estados Unidos da América),
Steve Morabito (Suíça), Llamazales Carlos Barredo (Espanha),
Koos Moerenhout (Holanda) e Pavel Brutt (Rússia).
Oleksandr Kvachuk luta bravamente sozinho na subida.
Há qualquer momento, o pelotão pode alcançá-lo.
Apenas dois quilômetros os separam.
Filippo Pozzato (Itália) e Simon Gerrans (Austrália)
estão trocando voltas e puxando todo pelotão. O terceiro
pelotão começa a encostar e agora é uma ameaça
constante para o sprint de chegada. Mas uma palavra soou constante:
Mark Cavendish (Grã-Bretanha) e Matthew Goss (Austrália)
não estavam mais no pelotão.
A diferença do ucraniano para o pelotão
já chegava na casa dos dois minutos.
Com cinco horas e trinta minutos de prova, Nibali atacou e pegou Oleksandr
Kvachuk. Consigo, o pelotão todo. Estava começando outra
prova naquele estágio. Todas as estratégias passaram a
mudar, com os italianos em maior número:
Giovanni Visconti (Itália)
Filippo Pozzato (Itália)
Vincenzo Nibali (Itália)
Koos Moerenhout (Holanda)
Wout Poels (Holanda)
Fabian Wegmann (Alemanha)
Philippe Gilbert (Bélgica)
Garderen Tejay Van (Estados Unidos da América)
O segundo pelotão com cinco atletas estava apenas
14 segundos do principal. Um pouco mais atrás (49 segundos),
outros começam a perseguição implacável,
com Cadel Evans (Austrália) puxando todos, tudo para defender
o seu título. Fabian Cancellara também está neste
gigantesco pelotão.
No topo do subidão, Thor Hushovd (Noruega) e
José Rodolfo Serpa Perez (Colômbia) partem para o ataque.
Outros também não deixam barato e vão atrás
do prejuízo. Aproximadamente, 56 atletas formam um pelotão
digno de mundial. Ninguém arriscava palpites.
Os italianos contra atacam e saem em busca da liderança.
Novamente, o pelotão destrincha, com poucos atletas acompanhando
desta vez. O ritmo da prova está surpreendente.
No pelotão de frente, apenas três grandes
“sprinters” estão no bloco:
Oscar (Espanha), Thor (Noruega), Visconti (Itália). Mas nada
está finalizado, já que na reta final Fabian Cancellara
pode aparecer como elemento surpresa. E Frank Schleck (Luxemburgo),
que também pode ser uma ameaça.
A última volta é registrara e as apostas
começam a surgir nos bastidores. Quem vai levar o título?
Menos de 11km para descobrirmos.
Marzio Bruseghin (Itália) assume a ponteira.
A estratégia italiana até agora está dando certo.
Ele vai deixar tudo pronto até o subidão, já que
tem mais dois companheiros para ajudá-lo.
No início da subida, os belgas assumem a liderança
com Evans na cola. Em um dos pontos máximos de inclinação,
mais um ataque é executado com Philippe Gilbert (Bélgica),
que passa a andar sozinho. Alexandr Kolobnev (Rússia) também
saiu na perseguição. Evans contra atacou e também
foi defender sua camisa.
O gigante Alexandr Kolobnev assume a ponteira, com mais
seis atletas no bloco: Gilbert, Evans, Philippe Gilbert (Bélgica),
Schleck, Chris Sörensen (Dinamarca) e Björn Leukemans (Bélgica).
O pelotão começa a encostar mais uma vez, proporcionando
uma das maiores disputas dos últimos anos. Nada está definido.
Faltando seis quilômetros, eles encaram a segunda
subida. Paul Martens (Alemanha) e Cadel Evans (Austrália) assumem
a ponteira. Mas por pouco tempo, pois Gilbert encostou nos líderes.
Pavel Brutt (Rússia) contra-ataca e vai para frente do pelotão.
Janez Brajkovic (Eslovénia), juntou-se com o russo.
Ataques e contra-ataques são implacáveis.
Faltando menos de dois quilômetros, Niki Terpstra (Holanda) atacou
e se juntou com os atuais líderes.
A vantagem do trio está entre 25 metros.
Os mil metros surgem e adrenalina começa a subir
pelas pernas até atingir o ponto alto dos capacetes. Os nervos
estouram os últimos fios de cabelo da perna. O suor seca de forma
instantânea na medida em que cadência aumenta. O público
vai ao delírio com o momento mais esperado: sprint final de chegada.
Alguns atletas saem na hora errada, até que todos
começam a contra-atacar. É o último momento da
prova... e com uma das chegadas mais emocionantes dos últimos
anos, Thor Hushovd cruza a linha de chegada na frente. Superando Breschel
e Davis.
Thor Hushovd comentou o seu primeiro título mundial:
“É difícil entender como eu venci o mundial. É
um sonho. Estou sem palavras.
Alguns momentos da prova eu já dava como perdido, pois a diferença
do primeiro pelotão para mim era muito grande. Mas os países
se juntaram e fizeram um belo trabalho de equipe, como são feitos
nos tours. Espanhóis e russos fizeram um excelente trabalho de
perseguição. Depois disto, ficou para todos decidirem
por si.”
O brasileiro Murilo Fisher participou da prova, mas
não chegou a concluir por força maior.
Resultados:
1 Thor Hushovd (Noruega) 6:21:49
2 Matti Breschel (Dinamarca)
3 Allan Davis (Austrália)
4 Filippo Pozzato (Itália)
5 Greg Van Avermaet (Bélgica)
6 Oscar Freire (Espanha)
7 Alexandr Kolobnev (Rússia)
8 Assan Bazayev (Cazaquistão)
9 Yukiya Arashiro (Japão)
10 Romain Feillu (França)
fonte: pedal
foto: divulgação
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