por: Gina Kolata
É um dos segredos dos atletas de elite: seguir em frente em um
nível de esforço que parece impossível de se manter.
A pergunta é: como eles fazem isso? Você pode treinar para
correr, pedalar, nadar ou fazer outro esporte nos limites do seu corpo,
ou é um dom inato de algumas pessoas?
Os médicos esportivos dizem que a maioria poderia se sair muito
melhor se soubesse o que é necessário.
"Absolutamente", disse o doutor Jeroen Swart, que é
médico esportivo, fisiologista de exercícios e campeão
de mountain bike cross-country e trabalha no Instituto de Ciência
Esportiva da África do Sul.
"Alguns pensam que os atletas de elite têm maior facilidade",
disse o doutor Swart. Nada poderia estar mais longe da verdade.
E, conforme os atletas melhoram, "não fica mais fácil",
disse o médico.
"Dói do mesmo jeito." Mas, acrescentou, "saber
aceitar isso permite que as pessoas melhorem seu desempenho".
Um truque é experimentar o percurso antes de correr por ele.
Em um estudo, o doutor Swart disse a ciclistas treinados que pedalassem
o mais forte possível em um percurso de 40 quilômetros.
Quanto mais à vontade eles se sentiam com o trajeto, mais rápido
pedalavam, apesar de -nas suas mentes- parecer que estavam aplicando
o esforço máximo em cada tentativa.
Então, o doutor Swart e seus colegas pediram que os ciclistas
pedalassem pelo percurso com esforço total, mas não lhes
informou até onde tinham ido nem quanto ainda faltava para correr.
Subconscientemente, os ciclistas se preservaram ao máximo nessa
tentativa.
É por isso que os corredores de elite examinam um percurso e
o experimentam antes de uma prova.
"Você aprende exatamente como regular seu ritmo", disse
Swart.
Outro truque de desempenho é a associação, o ato
de se concentrar intensamente no próprio ato de correr ou pedalar,
disse John S. Raglin, psicólogo esportivo da Universidade de
Indiana.
Em estudos com corredores universitários, ele descobriu que atletas
tidos como menos eficientes tendiam a dissociar, a pensar em muitas
outras coisas em vez da corrida, para se distrair.
"Às vezes, a dissociação permite que os corredores
acelerem, porque eles não prestam atenção na dor
e no esforço", disse o doutor Raglin.
"Mas o que acontece com frequência é que eles atingem
uma espécie de muro fisiológico que os obriga a desacelerar,
por isso acabam correndo de maneira ineficiente, em uma espécie
de ritmo oscilante."
Mas a associação é difícil, disse Raglin.
O doutor Swart disse que também vê isso no ciclismo.
"Nossa hipótese é que os atletas de elite são
capazes de se motivar continuamente e conseguem vencer o impasse entre
se esforçar demais -e não conseguir terminar- e ter um
fraco desempenho", disse Swart.
Os atletas devem resistir à sensação de que estão
cansados demais.
Pelo contrário, precisam se concentrar em aumentar a intensidade
do esforço
fonte: folha.uol.com.br
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