Patricia Gebrim além de ciclista participante
assídua dos passeios do Sampa Bikers é também psicóloga
e escritora onde já publicou vários livros, entre eles
Palavra de Criança, Enquanto Escorre o Tempo e Gente que Mora
dentro da Gente. Em uma de nossas pedaladas pedi que escrevesse um texto
do que tem sido a bicicleta para ela, os benefícios que ela colheu
e todo o estresse do relacionamento carro e bicicleta. Vale a pena dar
uma lida.
A proximidade do final do ano é sempre uma época
especial. Se por um lado as pessoas parecem malucas correndo de lá
para cá (mais adiante falarei sobre isso), por outro lado nos
tornamos mais reflexivos, ponderando nossas escolhas no ano que, ao
menos simbolicamente, está prestes a se despedir.
Uma das escolhas mais importantes que fiz este ano foi
a de comprar uma bicicleta. Sou uma ciclista praticamente iniciante
e escrever este artigo me parece pouco para retribuir tantas coisas
boas que a prática do ciclismo trouxe para a minha vida.
No início fui tomada por uma alegria que parecia
vir da criança que fui um dia. É impossível subir
numa bicicleta e não sentir borboletas fazendo festas na nossa
barriga! De certa forma, resgatamos a magia da infância, a alegria.
Sobre duas rodas tocamos o mundo de uma forma que torna cada quilometro
uma mistura de conquista e magia.
Mas a grande surpresa foi descobrir que, com a bicicleta,
veio muito mais do que eu esperava. Vieram novos amigos _ nunca esperei
ser tão bem acolhida em um grupo. Já participei de vários
grupos esportivos, mas confesso que o calor, a simpatia e a postura
solícita dos ciclistas me encantaram. Com a bicicleta também
vieram viagens deliciosas para lugares lindos e cheios de cachoeiras
e borboletas (tudo bem que tive que sofrer um pouco para chegar lá
pedalando!). Veio mais saúde e uma taxa de colesterol menor,
apesar dos deliciosos jantares regados a vinho na pizzaria, afinal ninguém
é de ferro, nada melhor do que celebrar uma boa pedalada. Vieram
pernas mais fortes e coração mais leve.
Hoje me sinto mais viva.
Deixando um pouco de lado essa reflexão mais
pessoal, volto a pensar no ritmo alucinado da cidade nesses dias. Aprendi,
pedalando em meio ao trânsito de uma cidade como São Paulo,
o quanto é importante que exista um bom relacionamento entre
os ciclistas e os que preferem andar sobre quatro rodas. Antes de começar
a andar por aí de bicicleta eu não percebia muitas coisas
que agora sei.
Hoje sei que os ciclistas não andam em grupo
com o intuito de se apropriar das ruas ou irritar propositalmente os
motoristas de carros. Andam em grupos pois assim estão mais protegidos,
e é por esse motivo que procuram não romper a unidade
do grupo.
Hoje sei que um ciclista está em uma posição
de muito mais fragilidade e procuro ser paciente e ceder-lhe passagem.
Hoje presto atenção antes de abrir a porta
de meu carro quando estaciono, um ciclista pode estar vindo e não
teria tempo de frear.
Confio que com o tempo aprenderemos, ciclistas e veículos
motorizados a estabelecer uma relação de mais respeito
e civilidade. Afinal, todos temos a ganhar com isso!
fonte: blogsampabikers
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