A fabricante das pulseiras Power Balance
foi autuada na Austrália por fazer propaganda enganosa dos efeitos
terapêuticos de seus produtos.
Em seu site oficial, a empresa admitiu que o acessório
não aumenta a força, flexibilidade e equilíbrio.
No dia 22 de dezembro do ano passado, a revendedora
australiana dos braceletes assinou um termo com o órgão
de defesa dos consumidores daquele país comprometendo-se a atestar
que não há comprovação científica
de seus efeitos terapêuticos. Além disso, a Power Balance
prometeu reembolsar os clientes que se sentiram lesados.
Em novembro, a empresa chegou a ser multada no valor
de 15 mil euros na Espanha também por propaganda enganosa.
No Brasil, a propaganda dos efeitos terapêuticos
da Power Balance e da sua versão brasileira, a Life Extreme,
está suspensa desde setembro do ano passado, por determinação
da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
A multa para o caso de infração à
norma pode variar de R$ 2.000 a R$ 1,5 milhão. Segundo a Vigilância,
as empresas não infringiram a determinação.
Segundo a empresa On the Beach, distribuidora das pulseiras
americanas no Brasil, "toda a publicidade realizada no país
está em conformidade com as leis vigentes e com a normas estabelecidas
pela Anvisa". A distribuidora também afirma que não
divulga "falsas promessas de benefícios".
Um estudo com 79 voluntários na Faculdade de
Ciências de Atividade Física da Universidade Politécnica
de Madri, Espanha, demonstrou que as pulseiras Power Balance não
têm qualquer efeito sobre nosso equilíbrio. Comandado por
Jesús Javier Rojo, médico e professor, o estudo envolveu
estudantes e duas provas de equilíbrio, com e sem a pulseira,
que foram fornecidas pelas própria companhia que as vende.
Aqui está o detalhe importante:
foi um estudo “duplo cego”, onde nem os estudantes nem os
realizadores do experimento sabiam quais pulseiras continham os “hologramas
quânticos” e quais os tinham removidos. Isso só seria
descoberto depois.
Os testes de equilíbrio foram de apoio monopodal e Romberg forçado,
e “uma vez terminada a tomada de dados, realizou-se um estudo
estatístico para ver se havia efeito em ostentar a pulseira com
ou sem o holograma ou se o efeito, se existisse, seria placebo. Os resultados
indicam que a pulseira não tem nenhum efeito”, conclui
Rojo em declaração ao jornal El País.
Em quase todos os países onde está sendo
vendida, cientistas e médicos opinam claramente como as pulseiras
do equilíbrio – que são vendidas por outras marcas
também, como “Biolectik” – não funcionam.
Como nota o físico Marco Moriconi, a forma como
a força é aplicada na pessoa sendo testada – seja
diretamente para baixo, ou de forma inclinada – pode responder
por que algumas pessoas com e sem a pulseira conseguem se equilibrar
ou não. Note que esses testes não são duplo cegos:
tanto a pessoa quanto o “experimentador”, que na verdade
é o vendedor, sabem quando a pulseira está ou não
sendo usada.
Esse truque para “diagnosticar” e manipular
resultados é em verdade anterior às pulseiras do equilíbrio,
e vem sendo explorado por curandeiros na forma da “Kinesiologia
Aplicada” (em inglês), uma espécie de “teste
de músculos” sem fundamentos científicos criada
em 1964, na qual o terapeuta pode obter qualquer tipo de diagnóstico
que deseje e fazer com que o paciente acredite que foi realmente diagnosticado.
Como explicar o sucesso de pulseiras que não funcionam? Marketing
e muito dinheiro. Diversas personalidades internacionais como Shaquille
O’Neal, Cristiano Ronaldo e mesmo esportistas brasileiros como
Rubens Barrichello usam e promovem a pulseira, provavelmente em contratos
de publicidade.
Enquanto são vendidas por mais de R$50 a consumidores
incautos, o preço de revenda dessas pulseiras que são
nada mais que plástico barato com pequenos adesivos holográficos
chega a menos de R$2.
Será preciso comprar um pacote com 200 peças
para obter estes preços de um fabricante na China, mas vendendo
apenas cinco pulseiras que não funcionam ao preço do consumidor
final, com a ajuda de “testes de equilíbrio” usando
o truque daforça aplicada obliquamente, o investidor já
poderá recuperar seu dinheiro e passará a lucrar com as
outras 195 pulseiras para vender. Se vender todas a R$80, será
um lucro de 4.000% sobre o investimento inicial.
Como fonte de renda, as pulseiras parecem funcionar
muito bem
fonte: urbanraiders
topo