Talvez seja interessante pensarmos em outras
realidades para entender o que acontece em São Paulo no que se
diz respeito a utilização da bicicleta como meio de transporte.
Para isso, tomemos Dourados como exemplo, cidade de cerca de 180 mil
habitantes localizada a 250 km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Mesmo o turista mais desatento é capaz de perceber a quantidade
de bicicletas que por lá circulam e as áreas reservadas
para o seu estacionamento e que são efetivamente utilizadas.
Um olhar mais atento para a paisagem nos ajuda a estabelecer
as relações entre as características geográficas
da cidade e as facilidades ao ato de pedalar.
A primeira delas é o relevo da cidade que possibilitou a construção
de ruas bastante planas e largas, que facilitam o fluxo de bicicletas.
A segunda é o clima do tipo tropical, ou seja, quente o ano todo
intercalado por uma estação seca e outra chuvosa (chuvas
intensas e rápidas).
O clima não se restringe apenas às temperaturas e às
chuvas, mas também às ações das massas de
ar que, dentre outras coisas, influenciam na umidade relativa do ar.
E como na região predominam as ações de massa de
ar seca transpira-se menos.
E a terceira característica é a quantidade de fluxos que
animam a estrutura urbana da cidade, bem menos intensos e complexos
do que nos grandes centros urbanos e que também explicam as pequenas
e médias distâncias que separam os pontos extremos da cidade.
Esses três fatores -clima, relevo e funções urbanas
–influenciam no maior ou menor uso da bicicleta como meio de transporte.
Porém, um olhar mais crítico nos permitirá perceber
que a bicicleta é mais amplamente utilizada por classes sociais
de renda média a baixa. Para eles a bicicleta não é
transporte alternativo nem filosofia de vida, mas a única maneira
que têm de se locomover pela cidade, ou pelo menos a forma mais
econômica.
Ora, se a estrutura física é a mesma para todos, por que
alguns só se locomovem em seus automóveis?
Texto: Eduardo Campos - Ciclista, Bacharel e licenciado
em Geografia pela USP, mestre em Educação pela FEUSP.
Foi professor de Geografia no ensino fundamental e médio da rede
pública e particular. Autor de publicações de material
didático de geografia e orientações sobre práticas
de ensino na área. Atualmente trabalha com formação
de professores, é assessor da Secretaria Municipal de ensino
de São Paulo e coordenador pedagógico e educacional de
escola particular. É autor e formador de professores associado
à Editora Horizonte desde 2009.
fonte: blogsampabikers
foto: urbanriders
topo