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Como funcionam as bicicletas

09/03/2011

por: Marshall Brain - traduzido por HowStuffWorks Brasil

As bicicletas são máquinas simples e elegantes, e que atraem quase todas as pessoas. Uma bicicleta permite que você chegue ao lugar que você quer ir mais rápido e usando menos energia do que se você estivesse andando ou correndo.

E para quem tem interesse em máquinas e mecânica, há uma outra vantagem: todo o seu funcionamento fica completamente exposto.

Não há coberturas ou placas de metal escondendo nada. Todas as peças ficam à mostra. Algumas das pessoas que curtem mecânica não conseguem resistir ao desejo de desmontar uma bicicleta!

Partes da bicicleta

Vamos começar mostrando as partes que compõem a bicicleta. Na foto abaixo, podemos ver uma bicicleta comum.

As peças que você consegue ver e identificar imediatamente são :

O quadro - composto de tubos de metal soldados. Cada um desses tubos tem um nome, conforme podemos observar na figura abaixo.

As rodas - são compostas pelo cubo, os raios, o aro de metal e o pneu de borracha.

O selim e o suporte do selim.

O guidão e a sua haste, que conecta o guidão ao quadro.

Os pedivelas e os pedais.

Os freios, compostos pelos acionadores no guidão, pelo cabo do freio, pelas pinças e pelas sapatas de freio.

A corrente e as engrenagens, formadas pelas coroas dianteiras, a roda livre (ou catraca) traseira, os câmbios dianteiro e traseiro, as alavancas de câmbio no guidão e os cabos.

Todas essas partes compõem uma bicicleta.

Rolamentos de esferas

As bicicletas usam rolamentos de esferas para reduzir o atrito. É possível encontrar esses rolamentos:
nos cubos dianteiros e traseiros das rodas
na caixa de movimento central, onde um eixo liga as duas pedivelas
no tubo da forquilha, dentro do qual a haste do guidão pode girar
nos pedais
na roda livre, onde eles tem uma dupla função (na roda livre, eles também ajudam a fornecer a característica unidirecional)

Os rolamentos de esferas do tudo da forquilha são do modelo mais comum e são mostrados na figura a seguir:




Os rolamentos de esferas (amarelo) se movimentam em uma caixa (vermelho). As porcas cônicas (azul escuro) fazem pressão sobre o tubo azul claro conectado à forquilha. Essas porcas são ajustadas para ficarem firmes a ponto de não haver folga na forquilha, mas não tão firmes a ponto de trava as esferas e prendê-las.

Os cubos da roda e os pedais funcionam exatamente da mesma maneira, com as porcas cônicas fornecendo o ajuste correto. No eixo da pedivela, uma das caixas das esferas é que fornece o ajuste. Colcoar um pouco de graxa ajuda os rolamentos de esferas a deslizarem melhor.

De vez em quando é necessário desmontar os rolamentos para remover a poeira e trocar a graxa velha por outa nova. As bicicletas mais caras possuem rolamentos selados que nunca precisam de ajuste ou lubrificação.

Engrenagens de bicicletas

Provavelmente você já viu uma foto daquelas bicicletas antigas, que tinham uma roda dianteira grande e uma traseira minúscula. Já pode até ter visto alguém andando em uma delas em algum filme.

Esse tipo de bicicleta ficou popular a partir de 1870, mas foi substituída pela "bicicleta segura" na virada daquele mesmo século. Uma bicicleta construída em 1900 ou 1910 tem quase a mesma aparência de qualquer bicicleta atual: com duas rodas com o mesmo tamanho, dois pedais no meio e uma corrente que conecta os pedais à roda traseira.

Então por que aquelas bicicletas com as rodas da frente gigantes foram inventadas? Em uma bicicleta daquele tipo, os pedais e a roda dianteira são conectados diretamente, da mesma maneira que em um triciclo de criança. Isso quer dizer que, ao girar os pedais uma vez, a roda gira uma vez. E esse é um jeito bem barato de construir uma bicicleta, mas tem uma desvantagem.

Imagine um triciclo com uma roda dianteira de 40 cm de diâmetro (ou 40 * 3,14 = 127 cm de circunferência). A cada vez que uma criança andando de triciclo faz um giro completo no pedal (e na roda dianteira), o triciclo se move 127 cm para frente.

Digamos que a criança está girando a roda dianteira a 60 rpm (ou uma revolução por segundo). Isso quer dizer que o triciclo está se movendo a 127 cm por segundo, ou seja, a velocidade não passa de 4,5 km/h. Mesmo se a criança pedalasse duas vezes mais rápido, a 120 rpm, o triciclo se moveria a apenas 9 km/h e a criança ficaria com as pernas cansadas, pois 120 rpm corresponde a muitas pedaladas!

Se um adulto quiser andar de triciclo a uma velocidade razoável, por exemplo a 24 km/h, mas sem que se exija muito esforço, é preciso fazer com que a roda dianteira do triciclo seja bem grande. Por exemplo, se o adulto quiser pedalar a 60 rpm, a roda dianteira precisa ter 213 cm de diâmetro, ou seja, mais de dois metros a mais de diâmetro.

O principal motivo pelo qual as bicicletas têm engrenagens é que elas permitem reduzir o tamanho das rodas. Por exemplo, se você colocar uma engrenagem com 42 dentes na coroa dianteira e uma engrenagem menor com 14 dentes na coroa traseira, a sua relação de engrenagens é de 3 para 1. Agora a roda traseira pode ter (213/3) cm = 71 cm de diâmetro, o tamanho usado em uma bicicleta normal. E isso é muito mais seguro.

Relações de transmissão

A idéia por trás das engrenagens múltiplas em uma bicicleta, quer sejam do modelo antigo de 10 marchas ou uma mountain bike moderna com 24 marchas, é deixar que você altere a distância percorrida pela bicicleta a cada pedalada.

Por exemplo, uma bicicleta normal tem rodas com 66 cm de diâmetro. A menor relação de transmissão de uma bicicleta pode ser uma engrenagem dianteira com 22 dentes e uma traseira com 30 dentes. Isso quer dizer que a relação é de 0,73 para 1 (a roda traseira gira 0,73 vezes a cada pedalada).

Em outras palavras, para cada pedalada, a bicicleta se move 152 cm (cerca de 5 km/h se estiver pedalando a 60 rpm). Já a maior relação de transmissão de uma bicicleta pode ser uma engrenagem dianteira com 44 dentes e uma traseira com 11 dentes.

Essa configuração fornece uma relação de 4 para 1. Com rodas de 66 cm, essa bicicleta vai se mover 828 cm a cada pedalada, e se mantiver 60 rpm, pode atingir a velocidade de 30 km/h ou dobrá-la se duplicar também a taxa de pedalada (120 rpm). Uma faixa que vai dos 5,4 km/h para os 60 km/h é algo fantástico, pois deixa o ciclista subir o morro mais íngreme vagarosamente ou correr quase tão rápido quanto um carro.

As engrenagens dianteiras são chamadas de coroas e a maioria das bicicletas tem duas ou três delas.



Conectada à roda traseira está a roda livre ou catraca, que tem o seguinte aspecto:


A roda livre tem de cinco a nove engrenagens, dependendo da bicicleta. E o interessante é que as rodas livres podem girar em uma direção, mas travam na outra. Isso permite que o ciclista escolha entre pedalar ou não, situação na qual dizemos que a bicicleta anda em ponto morto (outra função que o triciclo e as bicicletas antigas não possuem).

Para mudar de marcha, as bicicletas possuem câmbios traseiros e dianteiros. Abaixo, podemos ver a foto de um câmbio traseiro.



O câmbio traseiro possui dois pequenos pinhões que giram livremente. A função do braço e do pinhão inferior é exercer tração sobre a corrente. O pinhão e o braço são conectados a uma mola para que o pinhão empurre a corrente para trás o tempo todo. Conforme você vai mudando de marcha, vai notar que o ângulo do braço se modifica para tensionar ou afrouxar a corrente.



O pinhão superior fica próximo à roda livre. Quando você seleciona as marchas no guidão, esse pinhão se move para uma posição diferente na roda livre e arrasta a corrente com ele.



A corrente desliza naturalmente de uma engrenagem para a outra conforme você gira os pedais.

O funcionamento de uma bicicleta é simples e é isso o que a torna uma máquina tão fantástica de se usar, além de ser também uma obra-de-arte mecânica!

fonte: esporteuol.com.br


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