por: Michael M. Grynbaum para The
New Yor Times

Evento é realizado em Nova York para levantar
fundos para programa que incentiva o uso de bicicletas e ciclovias numa
das maiores cidades do mundo
Lutando para controlar a controvérsia em torno
de uma de suas principais políticas de transporte, o governo
Bloomberg está embarcando em um tipo de campanha política
incomum: convencer os nova-iorquinos que ciclovias são boas para
eles.
Em uma mudança calculada, a Prefeitura recorreu
a um de seus principais estrategistas políticos, o vice-prefeito
Howard Wolfson, para liderar uma blitz de relações públicas
visando fortalecer o apoio às ciclovias e minimizar as repercussões
políticas para o prefeito Michael R. Bloomberg.
É raro para um vice-prefeito se envolver em uma
disputa municipal em torno de espaço em rua. Mas assessores de
Bloomberg disseram que estavam ficando cada vez mais frustrados nas
últimas semanas com a enxurrada de publicidade negativa para
as ciclovias, que provocaram um processo acusando a prefeitura de deturpar
dados de trânsito e enormes críticas a Janette Sadik-Khan,
a comissária dos transportes.
A prefeitura, concluíram os assessores, não
foi agressiva o suficiente na apresentação de seu caso.
“Nós permitimos que o outro lado emoldurasse
o debate”, disse Wolfson em uma entrevista. “Realmente se
resume a isto: faltava nossa palavra no assunto.”
Na semana passada, Wolfson, um ex-assessor da campanha
presidencial de Hillary Rodham Clinton, interveio para preencher essa
lacuna. Ele elaborou um comunicado expondo um argumento sólido,
baseado em dados, a favor das ciclovias –o tipo de memorando à
prova de balas mais conhecido por especialistas em manipulação
de informação do que por órgãos públicos–
e postado no site do prefeito.
O memorando citou melhorias na segurança nas
ruas e minimizou o crescimento das ciclovias, notando que 410 quilômetros
foram adicionados em quatro anos, uma pequena fração dos
mais 9.600 quilômetros de ruas. No passado, a cidade se gabava
da rápida expansão da rede de ciclovias.
Wolfson fez em seguida uma rodada de aparições
na televisão e no rádio, e usou sua conta no Twitter para
respostas rápidas aos críticos. Ele escreveu um ensaio
enérgico e direto para o “The Huffington Post”, uma
tentativa explícita de rebater a retórica acalorada do
debate.
“Parafraseando o grande ciclista Sigmund Freud”,
escreveu Wolfson, “às vezes uma ciclovia é apenas
uma ciclovia”.
O prefeito também pareceu dobrar seu apoio. Em
um evento para arrecadação de fundos na segunda-feira
para o programa proposto de empréstimo de bicicletas da cidade,
realizado em uma casa no Upper East Side, Bloomberg ficou ao lado de
Sadik-Khan e disse a doadores potenciais que sua administração
planejava combater a “desinformação” sendo
disseminada a respeito das bicicletas.
Se a intensificação da campanha sugere
certo medo a respeito das consequências políticas das ciclovias
–o prefeito está enfrentando baixos números nas
pesquisas e um ressentimento considerável por parte daqueles
que vivem fora de Manhattan, que tendem a ser menos favoráveis
às bicicletas– os esforços também refletem
uma nova frente no debate das ciclovias, onde os participantes de todos
os lados da discussão estão se preparando para uma disputa
política cada vez mais sofisticada.
Neste mês, a Transportation Alternatives, um grupo
de defesa do empréstimo de bicicletas em Nova York, contratou
uma empresa profissional de relações públicas pela
primeira vez em seus 38 anos de história, citando em parte o
crescente interesse no assunto.
“É hora de botar a mão na massa
porque, francamente, o futuro de nossa cidade está em jogo”,
disse o diretor executivo do grupo, Paul Steely White.
Ele emoldurou o recente alvoroço como um momento
decisivo na continuidade ou não da promoção pela
prefeitura de políticas boas para pedestres e ciclistas.
Os oponentes das ciclovias estão embarcando em
sua própria ofensiva de mídia. Jim Walden, um advogado
que representa os moradores do Brooklyn e que processou a prefeitura
pela ciclovia no Prospect Park West, apareceu no “NY1” e
no “The Brian Lehrer Show”, o popular programa da “WNYC”,
para explicar as alegações de seus clientes de que a cidade
deturpou os dados de trânsito e tentou subverter o processo de
consulta pública. (Sem perder tempo, Wolfson compareceu no dia
seguinte para apresentar o seu lado.)
Walden descreveu a nova abordagem da prefeitura como
mais “madura”, mas disse que a administração
Bloomberg ainda não respondeu às preocupações
com seus laços estreitos com os defensores das bicicletas e sua
interpretação das estatísticas.
“As pessoas querem respostas”, disse Walden.
“Há um grande número de pessoas lá que não
gostam delas, não as querem ou não se sentem seguras.”
Alguns defensores se disseram animados em ver a prefeitura
fazer uma defesa mais robusta das ciclovias.
“Foi um inverno longo e frio para o ciclismo”,
disse White.
O convite para o evento de arrecadação
de fundos na segunda-feira, realizado na casa de Thomas L. Kempner Jr.,
o presidente da Preservação do Central Park, comparou
o plano da cidade de criar um programa de empréstimo de bicicleta
ao estilo de Paris com a construção da primeira linha
de metrô de Nova York.
“Como a abertura da Linha Principal de Manhattan
do metrô em 1904, o lançamento do maior sistema de empréstimo
de bicicletas prenuncia a chegada de uma nova opção de
transporte público”, dizia o convite.
O evento, onde manobristas estacionavam as bicicletas
de alguns convidados, atraiu várias dezenas de doadores, incluindo
o roqueiro David Byrne e Mike Richter, o goleiro do Salão da
Fama do hóquei.
Bloomberg, que chegou e partiu em seu utilitário
esportivo híbrido preto, foi informado no evento que as bicicletas
públicas em Londres são conhecidas como Boris Bikes, em
homenagem ao prefeito da cidade, Boris Johnson. Ao ser perguntado sobre
a perspectiva de Mike Bikes, Bloomberg riu e balançou a cabeça.
“Não soa bem”, ele disse.
Em seus comentários, Sadik-Khan reconheceu a
reação negativa. Ela lembrou da história de John
Randel Jr., o engenheiro de trânsito encarregado de implantar
o plano de grade de ruas da cidade de 1811, notando que ele foi atacado
com vegetais por proprietários de imóveis descontentes.
“Isso ainda não aconteceu comigo”,
brincou Sadik-Khan, segundo os convidados.
tradução: George El Khouri Andolfato
fonte: uol.com.br
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