
“Representei mais uma vez o Brasil em um Campeonato
Panamericano de MTB, desta vez na Colômbia, em Chía. O
circuito de 4.8km ficava em uma altitude que variava de 2600 a 2800m
acima do nível do mar. Eu tinha um grande foco nessa prova e
cheguei a fazer um bom treinamento para amenizar os efeitos da altitude,
porém acredito que não o fiz durante um período
de tempo suficiente devido ao conflito de datas com meu calendário
internacional. Eu sabia que o fator altitude seria o maior obstáculo
para o resultado almejado. Porém não seria impossível
buscar um bom resultado ou a vitória, que era o objetivo.
Chegamos na quarta-feira à noite e fizemos o
primeiro treino no circuito na quinta. As condições do
circuito me agradavam. Era técnico, com alteração
de trechos velozes e lentos em subidas longas. Até o dia da prova
não tivemos chuva, o que foi piorando as condições
de respiração.
Eu tinha uma grande expectativa para essa prova e sabia
que estava em grande momento físico e se eu me adaptasse bem
nas condições, eu poderia conquistar a vitória
na prova.
O domingo finalmente chegou. A largada foi dada às
11:00. Fui o primeiro a alinhar pelo fato de ser o primeiro pan-americano
no ranking mundial. Eu tinha uma estratégia de prova muito clara
em minha cabeça. Eu tentaria segurar o ritmo de prova no começo
da competição, já que a tendência é
o corpo se adaptar um pouco durante a prova, quando se corre na altitude,
porém como a recuperação é menor e mais
lenta na altitude, o ritmo imposto no começo de prova não
poderia ser muito exagerado.
Arranquei mal, o que não
é de costume, mas logo no começo consegui me posicionar
mais na frente. Quando terminamos o start-loop estava em terceiro, e
quando abrimos a primeira volta o americano Stephen Ettinger atacou
e eu respondi bem. Ele controlou o ritmo no começo da prova.
Mas logo em seguida, dois colombianos nos alcançaram e então
formamos o grupo líder com quatro atletas. No final da volta
os dois colombianos atacaram juntos e eu não tentei reagir, pois
queria seguir minha estratégia e continuei com o Americano. No
final da primeira volta, tínhamos uma pequena desvantagem para
os dois colombianos. Na segunda volta o americano atacou e acabei perdendo
contato.
Eu estava só perdendo tempo para os líderes
da prova e também para o americano. No final da terceira de cinco
voltas, eu tinha 43 segundos de atraso para o bronze. Na quarta volta
comecei a reagir e diminui a diferença para 30 segundos, na quinta
volta fui com tudo em busca de pelo menos uma medalha, mas o americano
se defendeu muito bem e diminui a desvantagem para pouco mais de 20
segundos.
Acabei a prova esgotado, o esforço da última
volta, não deixava meu corpo e acabei ficando um tempo respirando
num cilindro de oxigênio para abaixar o batimento e dar ritmo
normal à respiração.
Como este é o meu último ano na categoria,
esta foi minha última chance de conquistar este título.
Fiz uma bela prova em minhas condições. Talvez tenha faltado
um pouco mais de empenho em uma preparação específica.
Porém vale ressaltar que uma preparação na altitude
não é simples como se imagina e pode comprometer uma temporada
inteira se realizada de má forma.
Os colombianos levaram o ouro e prata o americano o
bronze na sub-23. Todos são naturais da altitude e se adaptaram
bem as condições."
fonte e foto: pedal
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