
O texto abaixo foi escrito por Salvio Giacomozzi, pai de atleta e grande
incentivador do esporte no Brasil e no estado de Santa Catarina.
Atletas Anônimos, guerreiros sem incentivo!
É como o velho “dito” da vovó:
“Papagaio come milho, Periquito leva fama”!
O Brasil é recheado de histórias de atletas representando
a nossa pátria sem incentivo, sem uma estrutura adequada da Confederação
afim. Não acontece diferente no ciclismo que com SETE medalhas
no Downhill garantiu ótima colocação geral no Campeonato
Pan-Americano da Colômbia.
Segundo a imprensa oficial da CBC (Confederação
Brasileira de Ciclismo) “a modalidade foi fundamental para colocar
o Brasil na segunda colocação na briga por nações”,
porém esqueceu-se de dizer que os atletas da tal modalidade (Downhill)
representaram o Brasil COM RECURSOS PRÓPRIOS. Atletas anônimos,
guerreiros sem incentivo.
Não! Não! A CBC pagou as inscrições!SÓ
restaram aos atletas anônimos as passagens aéreas, aluguéis
de veículos, alimentação e hospedagem.
A Confederação Brasileira de Ciclismo,
através da sua assessoria de imprensa, também em seu site,
gloria-se...
“Este foi mais um resultado positivo do trabalho sério
que vem sendo realizado pela Confederação Brasileira de
Ciclismo, com o apoio do Banco do Brasil (O Banco do Ciclismo Brasileiro)
em busca de uma renovação do ciclismo nacional”
e continua,
“A implantação de competições de nível
internacional, estágios, investimento nas categorias de base
e infra-estrutura para os atletas em provas internacionais são
algumas medidas que já estão sendo realizadas”.
Aonde ?
Quem somos nós para questionar o “trabalho sério”
da CBC.? Não temos acesso às prestações
de contas para acompanhar o destino das verbas. Porém, até
que se publique o real destino pairam dúvidas.
Aí eu questiono. Onde está o “dindim” do tal
“parceiro do ciclismo brasileiro”? Onde está tudo
isso que falam?
Edivando de Souza Cruz (XC Elite Masculino), convocado oficialmente
pela CBC, em entrevista cedida ao site pedal.com.br, quando perguntado
sobre “treinos”, responde, em parte, o nosso questionamento.
“A minha equipe (Scott-Fittipaldi) me proporcionou uma semana
de treinos em Campos do Jordão-SP...”. A entrevista, na
íntegra, pode ser conferida no referido site.
Para Rubens Donizete (XC Elite Masculino), convocado oficialmente pela
CBC, em declaração no mesmo site “a Colômbia
e a Argentina mereceram as conquistas da vaga Olímpica, pelo
simples fato de planejamento. Essa questão foi abordada por todos
os outros brasileiros, que se tivessem feito um treinamento específico
de altitude, com certeza conquistaríamos esta tão sonhada
vaga antecipada”. E continua dizendo:
“Sendo que, no caso da Argentina, que conquistou a segunda vaga
Olímpica, houve inclusive um apoio da própria Confederação
Argentina, para que esse treinamento fosse realizado (nosso grifo).
Dessa forma, ambos os países merecem os parabéns, pelo
empenho em conquistar a vaga Olímpica, tanto com relação
ao treinamento, como com relação à adaptação
à altitude, no caso da Argentina”.
Também para Isabella Lacerda (XC Sub 23-Feminino), convocado
oficialmente pela CBC, faltou infra-estrutura. “Foi uma prova
muito difícil, a altitude complicou bastante, pois não
tivemos tempo para a adaptação e isso influenciou muito
os resultados. (nosso grifo).
Analisando essas declarações imagino que os demais que
têm marcas para entrar na equipe olímpica recebam as mesmas
condições de treinamentos, apenas, em seus clubes.
Diante disso, fico na dúvida: onde a Confederação
Brasileira de Ciclismo aplica os recursos que recebe do patrocinador,
através do Comitê, do Banco do Brasil o “Banco do
Ciclismo Brasileiro”, etc para a preparação dos
atletas em competições internacionais?
Não passa de um questionamento! Porque, conforme
declarações, com “os clubes preparando os atletas”,
“a falta de planejamento” e a “falta de infra-estrutura”,
aos atletas convocados, por parte da CBC e atletas sem nenhuma ajuda
de custo e sem apoio algum (caso do Downhill) é preciso saber
como são usadas as demais verbas públicas.
Se forem públicas, merecemos esclarecimentos,
pois um dos problemas graves do esporte, em geral, é a falta
de investimento na base, no atleta que está despontando, no atleta
não olímpico (anônimo), guerreiro sem incentivo
que também representa o país.
Agora é a oportunidade que a Confederação Brasileira
de Ciclismo (CBC) tem para mostrar seus planos de aplicação
para que não fiquem dúvidas sobre o bom uso da verba pública.
Os nossos parabéns e respeito à seleção
brasileira oficial (com toda despesa paga) convocada pela Confederação
Brasileira de Ciclismo, pela conquista de uma medalha de ouro e uma
medalha de bronze.
E aos demais atletas do Downhill que completaram a delegação,
parabéns pelo exemplo de amor a Pátria e a hombridade
de molhar com suor e até lágrimas de alegria a logomarca
do Banco do Brasil (o Banco do Ciclismo Brasileiro), sem mesmo ter recebido
um “misero centavo” de ajuda de custo da verba repassada
à Confederação Brasileira de Ciclismo e colocado
o Brasil na segunda posição da tabela de medalhas entre
as nações da América Latina.
Já diversas vezes foi questionado e solicitado
uma resposta, junto a CBC, da falta de apoio aos atletas da modalidade
Downhill. A resposta é sempre a mesma: “A modalidade não
é olímpica”.
Só para refletirmos concluo com o caput do Art.
5º da nossa Constituição Federal:
“Todos são iguais perante a lei,
sem distinção de qualquer natureza, (...)”.
E por que a discriminação da modalidade
Downhill (não Olímpica) se também ela defende a
mesma bandeira? E conquista medalhas no Campeonato Pan-Americano com
o mesmo peso internacional?
O Downhill, modalidade não olímpica, já reconhecida
nacional e internacionalmente, merece o reconhecimento da Confederação
Brasileira de Ciclismo, por meio de política voltada para ela.
A política da Confederação Brasileira de Ciclismo
não pode se pautar unicamente em modalidades olímpicas,
pois que há dificuldade para que a modalidade seja incluída
nos Jogos Olímpicos, porém sua participação
em Campeonato Pan-Americano é muito atuante, como este último,
onde conquistou duas medalhas de ouro, duas medalhas de prata e três
medalhas de bronze, somando sete medalhas no Pan 2011.
Como o esporte olímpico, o Downhill é
um bom meio para obter uma condição física saudável
e também uma imprescindível ferramenta de educação,
de inclusão social e de entretenimento, seja praticando ou apenas
assistindo a sua prática.
Ibirama(SC), 06 de Abril de 2011
Salvio Giacomozzi
fonte: dhbrasil
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