Realização
de um sonho e frustrações na minha primeira participação
na prova mais divulgada e dura do mundo.
O convite para a formação da dupla
me pegou um pouco de surpresa, no fim da temporada de 2010, entrei nas
férias já sabendo que iria começar os treinos voltado
para o Cape Epic.
Foi o começo da realização de um
sonho e começamos o ano de 2011 muito esperançosos por
um resultado muito bom da dupla Hugo Prado Neto e Robson Ferreira.
Mas o começo do ano e consequentemente da temporada
não foi muito boa com relação a renovação
dos patrocinios, alguns se retirando, outros renovando e outros com
dificuldades.
Durante 03 meses ficamos na luta de treinos e batalha
para concretização de toda a estrutura da equipe Amazonas
Bike.
Isso me tomou muito tempo de treino e descanso, os quais
são valiosos para um bom rendimento, mas passei por cima de tudo
isso e me mantive firme até nosso objetivo.
Às vesperas da viagem, na espera da bicicleta
nova, tivemos um contratempo quanto a conclusão do contrato em
relação ao equipamento. Embarquei para Africa sem minha
bike 2011 e isso me abalou um pouco. Mais uma vez passamos por cima
disso tudo, fizemos uma revisão total na bike, como sempre partindo
da loja Amazonas Bike.
Viajamos rumo ao destino e a prova, Africa do Sul, cidade
de Cape Town. Fizemos todos os ajustes no equipamento e alguns treinos
leves para o preparativo da prova.
Um dia antes da largada do prologo já estava
me sentindo mal e muito nervoso por estar começando uma das provas
mais duras do mundo debilitado com uma intoxicação alimentar
e resultando em uma infecção intestinal.
Bom, partimos para nosso objetivo tendo em mente tentar
uma boa recuperação, sem ter que abandonar o programado.
Prólogo - 27km
Largamos forte, no começo me senti bem, mas após
uns 15 minutos começou todo o drama, não tinha forças
para continuar no ritmo forte que estavamos. Com isso não demorou
para as duplas começarem a encostar e passar. Isso foi ruim demais,
mas o objetivo era terminar para largarmos entre as 50 melhores duplas
e evitar ficar muito atrás, mas não era só meu
estômago que estava falhando, após uma sessão de
descidas técinicas o power link da corrente do Hugo se soltou
e tivemos que fazer os últimos 3km no embalo e empurrando.
Terminamos a etapa e o objetivo do momento era recuperação,
se cuidar para melhorar o quanto antes, pois no dia seguinte 89km nos
esperavam.
Chegando no acampamento fui medicado e fiquei no soro
para hidratação.
Primeira etapa - 89km
No dia seguinte parecia que eu estava recuperado e às
07:00 foi dada a largada, conseguimos andar no primeiro pelotão
por uns 30min. até o drama começar.
Após uma sessão de subidas fortes comecei
a me sentir mal novamente e fui seguindo o Hugo na medida do possível,
em um lugar onde não havia risco algum tomei um tombo onde necessitei
de pontos sobre o supercilio.
Terminamos a etapa e tentei novamente me recuperar
com soro e medicamento para que pelo menos a comida parasse no estomago.
No dia seguinte após uma noite mal dormida por
causa do mal estar decidi não largar, pois estava pior que no
dia anterior.
Meu parceiro deve ter tomado um banho de água
fria às 06:00 da manhã, mas admirei sua atitude perante
minha desistência e com isso foi o fim do sonho de um grande resultado.
O Hugo partiu sozinho, mas menos de 20min. retorna ele
com o pé-de-vela quebrado, na hora emprestei o meu e após
1hora da largada, ele foi na busca de ser finisher.
Fiquei sendo um expectador na maior prova de MTB do
mundo, voces não imaginam o que estava na minha cabeça
passando por tudo aquilo em um país estranho, sem meus familiares
por perto para me apoiarem.
Nesse momento que conheci melhor as pessoas que estavam
por ali, pessoas que se preocuparam comigo e tentaram ajudar. Fiz amigos
ali na Africa que estiveram sempre bem perto no Brasil.
No final da prova, eu já estava parcialmente
recuperado e com aquela sensação de desistência
que é a pior para um atleta profissional, onde várias
empresas e pessoas acreditaram em voce e investiram para que voce estivesse
ali para fazer seu melhor.
A prova acabou e minha presença ali parecia muito
estranha, pois todos estavam comemorando uma vitória de completar,
de superação e algo a mais. Eu havia desistido logo no
começo e isso me corroeu por dentro de uma forma muito intensa.
Bola pra frente, foi isso que tentei botar em
mente, mas não fui eu o único a ser prejudicado, havia
meu parceiro no qual consegui perceber uma pessoa companheira e disposta
a apostar novamente na nossa ambição de sermos a melhor
dupla brasileira em uma prova nesse estilo, só que agora no Brasil
Ride.
Robson
topo