A primeira ciclorrota de São Paulo estreia
hoje no Brooklin, na zona sul.
Não se trata de uma ciclovia, faixa exclusiva
para bicicletas como existe na Radial Leste e na marginal Pinheiros.
Também não é uma ciclofaixa, como a que passa pelos
parques Ibirapuera, das Bicicletas e do Povo aos domingos e feriados,
onde uma das faixas é separada para ciclistas.
A ciclorrota é um circuito com sinalização nas
ruas apontando aos motoristas que os ciclistas têm preferência,
como assegura o Código de Trânsito Brasileiro.
Nela, carros e bicicletas compartilham a rua, mas com sinalização
específica para isso.
A ideia, segundo a CET, é gerar uma mudança de comportamento
em ciclistas e motoristas, semelhante à campanha de prioridade
ao pedestre.
Sinalização. Prefeitura finalizou
ontem colocação
de placas e pintura de logo de bicicletas
O Brooklin foi escolhido para a primeira ciclorrota porque vai interligar
dois parques -Severo Gomes e Cordeiro- e o trecho da ciclofaixa na av.
Jornalista Roberto Marinho.
A sinalização específica, finalizada ontem (19)
pela Secretaria Municipal dos Transportes (SMT), inclui logotipo de
bicicletas no solo, além de placas e faixas informando a existência
da ciclorrota e alertando motoristas a diminuírem a velocidade.
O diretor de planejamento da CET, Irineu Gnecco, afirmou que alguns
agentes estarão disponíveis ao longo dos 15km de trajeto
para realizar a fiscalização, mas que a ideia é
contar com a colaboração da população para
que os ciclistas sejam respeitados.
A próxima rota será implantada no centro, passando por
pontos históricos como o Pateo do Collegio, ladeira da Memória,
largo São Bento e largo São Francisco.
Na prática, a nova ciclorrota é uma
forma da Prefeitura cumprir o artigo 58 do Código de Trânsito,
que prevê preferência para bicicletas em todas as vias públicas.
Mas, apesar de ainda nem existir direito, a iniciativa já têm
sido motivo de polêmica: o motivo é o limite de 30km/h
nas vias que fazem parte do trajeto (exceto as ruas Alexandre Dumas
e Verbo Divino, que terão limite de 40km/h por apresentarem fluxo
mais intenso).
Não estão previstos radares, e os motoristas já
condenam a ciclorrota, afirmando que o limite de velocidade não
condiz com a potência de um carro. Além disso, alguns apontaram
que em horário de pico, as vias ficam travadas por causa do trânsito.
O percurso de 15km, apesar de polêmico, terá paisagens
diferenciadas e agradáveis aos ciclistas, que passarão
pelos bairros do Brooklin, Chácara Santo Antônio e Jardim
Cordeiro.
Algumas ruas são mais tranqüilas e bucólicas, como
a Farrapos, enquanto outras apresentam mais movimentação
por causa do comércio, como a Cancioneiro Popular.
Além de ligar os parques, o trajeto ainda inclui universidades
(Unip e Uniban) e o Consulado dos Estados Unidos.
De acordo com André Pasqualini, da ONG Ciclo BR, a iniciativa
é uma boa ideia e leva em conta ruas arborizadas e com menos
tráfego, além de tornar oficial algo que os ciclistas
já fazem informalmente.
Pasqualini também acredita que a ciclorrota reforça a
conscientização sobre direitos dos ciclistas.
fonte: folha.com / cadernosp.transporte
/ estadao.com.br
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