por: Bruno Cunha
Moradores da Penha e de bairros vizinhos voltaram
a viver dias de pura adrenalina próximo ao matagal por onde traficantes
fugiram, em novembro, na véspera da ocupação policial
na Vila Cruzeiro.
Bem perto daquele trecho, na Serra da Misericórdia, um comboio
de jovens e adultos da região, com idades entre 15 e 30 anos,
começou a chamar a atenção da vizinhança
nos fins de semana.
Equipados com capacetes e joelheiras, cerca de 20 pessoas passam o dia
no local praticando downhill. De bicicleta, eles descem montanhas e
enfrentam obstáculos como pedras e troncos de árvore.

Lucas Alberto voa baixo com a sua bike
Foto: Marcelo Theobald
Aluno do 2º ano do ensino médio, Lucas Ferreira,
de 15 anos, conheceu o local há apenas um ano, quando começou
a praticar o esporte. Logo após a ocupação do Alemão,
segundo ele, o grupo chegou a catar cápsulas de balas nas trilhas.
— Essas trilhas ficam no meio de um complexo de
bairros, como Penha e Inhaúma, e têm vista para a Vila
Cruzeiro, Alemão e um trecho da estrada de terra por onde os
traficantes fugiram. Ela dá acesso à comunidade, onde
fui criado e, na volta, sempre descemos pela pedreira. Víamos
traficantes armados e de moto passando lá embaixo. Mas ninguém
mexia com a gente, porque fomos criados ali — conta.
Apesar do pouco tempo de prática, Lucas vem aprimorando
o seu desempenho:
— Caía no início, mas, agora, já
aumentei a velocidade. Para não cair, é importante ficar
atento aos obstáculos e não abusar da velocidade —
lembra.
Amigo de Lucas, o aluno do 1º ano do ensino médio
Gerson Nunes mora num dos acessos à Vila Cruzeiro e, há
seis meses, acompanha os amigos.
Nos fins de semana, eles chegam ao local às 13h
e só voltam para casa às 18h.
— A maioria leva mochilas com ferramentas para
consertar a bicicleta, se ela quebrar durante a descida, além
de biscoitos e muita água — conta.
topo