
A Quinta da Boa Vista é um dos locais históricos mais
importantes do Rio de Janeiro, senão do Brasil. Lá viveu
a família real nos anos de 1800, quando fugiu de Portugal para
tentar se livrar dos exércitos de Napoleão Bonaparte.
Vieram para o Brasil, sua maior colônia, e acabaram provocando
grandes mudanças no destino da nossa terra.
Cheia de controvérsias, esta história deixou vários
legados para nosso povo, uns bons,outros nem tanto. Com o tempo, a Quinta
da Boa Vista, residência oficial da família no passado,
se transformou em uma extensa área de lazer para o povo carioca,
e nos serviu de forma ímpar neste fim de semana.
Quem poderia imaginar que aquele espaço poderia comportar uma
pista de MTB Cross Country digna de receber os melhores bikers do país,
ainda mais em uma prova internacional sob a supervisão direta
da UCI - Union Cycliste Initernationale?
Foi neste clima que 200 atletas de todo o Brasil se
encontraram para disputar a 2a. etapa da Taça Brasil de Mountain
BIke XCO, valendo pontos para o Ranking Brasileiro e Internacional sob
a classe 2.2 da UCI. A prova também serviu para definir os novos
campeões do Estado do RJ, valendo apenas para os pilotos federados
na FECIERJ.
Entre estes 200 atletas estava a nata do MTB nacional, que veio em peso
para nos mostrar toda a força do nosso ciclismo. "O evento
foi excelente e a pista estava muito técnica, principalmente
do ponto de vista estratégico", disse ao BikeBros o piloto
Marcio Ravelli, 11 vezes campeão nacional. Eduardo Ramires, outro
grande nome do nosso ciclismo, declarou que "é muito importante
que os eventos tragam todo este público para conhecer o esporte".
Este foi o primeiro evento de Mountain Bike realizado na Quinta da Boa
Vista.
Segurança e grande público
Este evento explorou uma das maiores características deste ponto
turístico carioca: a grande e constante presença de público
nos fins de semana, composto de famílias que saem de casa para
aproveitar um domingão especial tendo à disposição
a grande área verde da Quinta, o Museu de História Natural
e o Jardim Zoológico Municipal, tudo no mesmo lugar.
Algumas semanas antes, alguns pilotos, levados pelas constantes notícias
de assaltos no Rio de Janeiro, questionaram a segurança do local.
Mas neste domingo havia ainda a realização do Viradão
Cultural, com shows e várias outras atividades no parque, que
aumentou ainda mais o contigente policial na área.
O resultado foi um espetáculo que misturou os melhores atletas
do Brasil e milhares de olhares atentos dos curiosos. Muitos nunca haviam
visto uma prova de Mountain Bike, e se impressionaram com tanta energia
e alto astral.
Esse foi um dos ponto mais positivos, e a decisão de fazer este
evento naquele local não poderia ser mais acertada. Quanto à
segurança, nenhuma ocorrência foi registrada, comprovando
a preocupação dos organizadores com o bem estar dos participantes.
Novos rumos
A FECIERJ, organizadora do evento, pôde contar com o total apoio
de Thiago Barcelos, responsável pela sub-prefeitura do Centro
do Rio de Janeiro, e Virgílio de Castilho, diretor da deCastilho
Marketing.
Este pode ser o início de uma nova e grande parceria entre federação
e prefeitura, que quer trazer eventos ciclísticos para o centro
do Rio de Janeiro, a exemplo das provas de estrada (circuito) que aconteciam
décadas atrás na própria Quinta da Boa Vista. Sob
a supervisao da CBC e com a presença de um árbiro internacional
da UCI, o canadense Michael Drolet, o evento foi de um nível
bastante alto, tanto na organização quanto nas disputas.
Em encontro realizado após a prova com Claudio Santos, presidente
da FECIERJ, Drolet elogiou bastante o evento e declarou que "recomendará
fortemente à UCI o aumento da pontuação desta prova
para 2012, que passará da classe 2.2 para a classe 2.1".
Circuito nada fácil
Como sempre, a pontualidade e o trabalho focado dos comissários
da FECIERJ foi digno de nota, merecendo um elogio do comissário
internacional da UCI, fato bastante raro.
Exatamente às 8:00h partiu a primeira bateria rumo ao circuito
inédito que ainda trazia algumas dúvidas na cabeça
de vários competidores. Uma das observações de
vários atletas, logo na primeira semana em que o circuito foi
mostrado ao público, foi a aparente ausência de trechos
técnicos.
Pelo menos, trechos técnicos da forma como estão sendo
comuns nas provas atuais de MTB XCO. Entretanto, o que vimos durante
a prova foi um circuito duro e exigente,onde foi necessário o
uso inteligente dos recursos da bike e do corpo.
Toda a área da Quinta da Boa Vista é repleta de voltas
e pequenas colinas, gramadas ou não, que provocam a constante
desaceleração da bike, além de pequenos mas importantes
trechos de descidas com raízes e escadas. Apesar disso, todo
o trajeto era muito rápido e explosivo.
Essa sucessão de "problemas" provocou um grande desgaste
em todos os competidores, que foram unânimes em afirmar que este
, definitivamente, não foi um circuito nada tranquilo.
Com 5780 metros para percorrer em cada volta e vários pontos
de ultrapassagem à disposição, nossos valentes
pilotos tiveram que suar a camisa de verdade. Segundo os pilotos, principalmente
da Elite, o circuito exigia o uso perfeito das marchas e controle do
giro, e qualquer erro na estratégia poderia resultar em perda
de posições.
Mineiros voando baixo
A sensação do evento foi a bela vitória do mineiro
Tiago Aroeira sobre seu compatriota e parceiro de equipe, Rubens Donizete,
disputando no sprint em cima da linha final.
Pedalando muito forte, os dois complicaram a vida dos seus maiores rivais,
o atual campeão brasileiro Ricardo Psheidt e Edvando Cruz, que
teve sua onda de bons momentos no Rio de Janeiro interrompida (Edvando
venceu nas duas últimas provas realizadas no RJ, o Brasileiro/2009
em Resende e a primeira etapa do XC das Favelas, semanas atrás).
Aroeira mostrou excelente forma liderando toda a prova, enquanto Psheidt
e Rubinho alternavam a segunda posição até metade
da prova.
Outro momento que deixou a torcida alucinada foi a atuação
vitoriosa do multi-campeão Marcio Ravelli, que detonou na Master
e mostrou que ainda dará trabalho por muito tempo.
Entre as meninas, a também mineira Roberta Kelly Stoppa levou
sem muita dificuldade, deixando para trás Julyana Machado e Manuela
Vilaseca, que resolveu encarar o percurso com rodas de 29".
Premiação baixa
Apesar do sucesso da 2a. etapa da Taça Brasil, a premiação
baixa foi motivo de reclamação dos atletas.
Em comunicado ao pilotos feito através do site da FECIERJ, o
presidente Claudio Santos explicou que a CBC (Confederação
Brasileira de Ciclismo) exigiu a manutenção dos mesmos
padrões de premiação adotados pela etapa anterior
da Taça Brasil, realizada no Paraná.
De acordo com argumentos da CBC, se a premiação na Quinta
fosse mais alta, seria criado um problema para os organizadores das
próximas etapas, que não conseguiriam oferecer prêmios
maiores para os atletas.
A 2a.etapa da Taça Brasil de Mountain Bike foi
realizada pela parceria entre FECIERJ e DeCastilho Marketing, com o
patrocínio e apoio da Vzan, Bikebros.com.br, Amazonas Bike, Shimano,
Prefeitura do Rio de Janeiro e Banco do Brasil.
veja mais e todas as fotos no site do BikeBros: www.bikebros.com.br


fonte: BikeBros
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