por: Willian Cruz
Cansados de tanto esperar pela sinalização
e o respeito que nunca vêm, cidadãos paulistanos tentaram
resolver o problema por si e, no dia 27 de maio, pintaram sinalização
de solo na Avenida Paulista (mais uma vez).
Mas essa sinalização, importantíssima
para aumentar a segurança de quem usa a bicicleta nas ruas, foi
apagada pela CET na noite da última quinta-feira, 9 de junho.
As bicicletas no asfalto duraram menos de duas semanas. Pelo jeito,
era importantíssimo tirá-las de lá.

A foto da esquerda foi feita pouco antes da retirada
da sinalização pela CET. A da direita
mostra o momento em que ela era apagada, com a justificativa de aumentar
a segurança
dos motoristas. Fotos: Willian Cruz e Aline Cavalcante.
Quem tem a obrigação de sinalizar
não o faz
A sinalização das vias não é
apenas competência da CET. É obrigação. Como
já comentamos por aqui, o artigo 24 do Código de Trânsito
Brasileiro determina que quem DEVE garantir a segurança de ciclistas
é o órgão de trânsito – nesse caso,
a Companhia de Engenharia de Tráfego:
Art. 24. Compete aos órgãos e entidades
executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito
de sua circunscrição: (…)
II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito
de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento
da circulação e da segurança de ciclistas.
Não é fingindo que não se tem responsabilidade
pela segurança dos ciclistas que a CET e a Prefeitura de São
Paulo se eximem dela. Ao se omitirem, fazendo de conta que não
possuem essa responsabilidade, passam aos motoristas a ideia de que
os ciclistas usam as vias por teimosia, não por direito, e tornam-se
co-responsáveis por acidentes e mortes que venham a acontecer.
Fechar os olhos não faz o problema sumir, só
agravar
Sinalizar a presença de ciclistas nas ruas, indicar
os melhores caminhos para as bicicletas e fazer uma campanha maciça
de conscientização de motoristas, seguida de punições
rígidas para quem atenta contra a vida por detrás de um
volante, são caminhos para se chegar a uma convivência
mais humana nas ruas.
E tornar a via segura é obrigação
do órgão responsável. Não é um favor,
nem uma esmola. É lei. A CET deve cuidar da segurança
de todos os usuários das vias, mais do que cuidar da fluidez.
Vidas são mais importantes que tempo de viagem.
A CET deve cuidar da segurança de todos, do motorista de automóvel
ao ciclista, do taxista ao carroceiro, do caminhoneiro ao pedestre.
O trânsito é formado por pessoas, não por carros.
Ignorar que os ciclistas existem e que têm direitos
nas ruas só faz com que os maus motoristas façam exatamente
o mesmo. Já passou da hora de parar com esse mau exemplo, que
fortalece condutas assassinas de quem pensa que sabe dirigir.
Por que a retirada dessa sinalização coloca
vidas em risco
As bicicletinhas pintadas no solo trazem maior segurança
para os ciclistas que utilizam a avenida, lhes indicando a faixa mais
segura para sua circulação ao mesmo tempo em que sinaliza
aos motoristas que por ali circulam bicicletas.
O aumento na segurança viária se deve
ao fato desse tipo de sinalização legitimar a presença
dos ciclistas, estimulando o compartilhamento da avenida e reeducando
os motoristas que ainda acreditam que a bicicleta não tem direito
de trafegar nas ruas.
Sinalização explicitando esse direito
evita as atitudes punitivas desses motoristas, que os ciclistas conhecem
tão bem. Finas, fechadas e espremidas contra a calçada
– ou, pior, contra os ônibus – são expedientes
utilizados por esses maus motoristas, que acreditam estar “educando”
os ciclistas e os ensinando a não usar as ruas. Foi uma atitude
como essa que tirou a vida de Márcia Prado, nessa mesma avenida,
em janeiro de 2009.
fonte: vadebike.org
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