Cerca de 50 manifestantes que participam
de um ato em protesto à morte do ciclista Antonio Bertolucci,
68, acionista e presidente do Conselho de Administração
da Lorenzetti S.A, fecharam na noite desta segunda-feira (13) a avenida
Sumaré, no sentido Lapa, zona oeste de São Paulo.
A vítima morreu após ser atropelada por um ônibus
fretado na avenida Paulo VI, na mesma região, na manhã
desta segunda-feira (13).
Apesar de interromper o trânsito, a ação,
que é pacífica, está sendo acompanhada pela Polícia
Militar e pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A interdição
total começou às 20h20 e, por volta das 20h45, duas faixas
permaneciam fechadas. Após 10 minutos, as demais foram liberadas.
Os manifestantes desenham imagens de bicicletas e grafitaram frases
de protesto no asfalto.
A manifestação começou por volta
de 19h desta segunda-feira (13) na praça Caetano Fraccaroli e
homenageia o “tio Antonello”, como era conhecido entre os
ciclistas o acionista da Lorenzetti.
Em um poste de luz, uma coroa de flores estava posicionada
diante de cerca de uma dezenas de velas acesas em lembrança ao
empresário. Vários cartazes confeccionados pelos manifestantes
exibiam frases como “chega de violência” e “continuamos
invisíveis”.
Um dos organizadores do ato, o ciclista Felipe Aragonez,
presidente da entidade Ciclo Br, afirmou que tinha coBertolucci e que
ele era conhecido “há mais de 20 anos” por circular
pela cidade de bicicleta.
O cicloativista disse ainda que já fez viagens
de bicicleta com o empresário e que, com a experiência
que tinha nos pedais, a vítima dificilmente teria caído
sozinha antes de ser atropelada. Aragonez reclamou das polícias
municipais para o transportes em duas rodas e afirmou que mesmo que
o ciclista estivesse fora de faixas especiais, caberia ao motorista
do ônibus ter desviado.
Manifestantes instalam uma "ghost bike",
bicicleta pintada de branco que simboliza a
morte de um ciclista, no local onde Antonio Bertolucci, 68, morreu
“Ele [o motorista] tinha que estar prestando atenção,
vendo tudo. Poderia ser uma criança que tivesse correndo dos
braços da mãe para a rua ou um ciclista: os motoristas
sempre tem que estar atentos”.
Apresentando-se como bicicleteiro do empresário
da Lorenzetti, Edson Soares de Souza esteve no ato em homenagem a Bertolucci
e afirmou que na manhã de segunda (13) o ciclista esteve em sua
bicicletaria. “Como fazia há anos, todos os dias, ele passou
lá por volta de 7h40, sentou, leu o jornal e disse que iria tomar
um café na padaria.”
Segundo ele, o engenheiro estava “muito empolgado”
e contando detalhes de sua recente viagem ao Rio de Janeiro. Souza afirmou
que Bertolucci não se acidentava com frequência. Entretanto,
ele lembrou que há “dois ou três meses” Bertolucci
apareceu na bicicletaria após ter caído sozinho na avenida
Alfonso Bovero.
"Fatalidade"
A Polícia Civil de São Paulo afirmou
que, inicialmente, trata o atropelamento do empresário italiano
Antonio Bertolucci como uma “fatalidade”.
Segundo a delegada Lilian Martins da Silva, plantonista
do 14º Distrito Policial (Pinheiros), o motorista do ônibus
que atingiu o empresário, José Carlos Pereira de Souza,
não apresentava sinais de embriaguez e possuía todos os
documentos em dia. “De acordo com todas as informações
que temos até agora, tudo indica que tenha sido um acidente,
uma fatalidade”, disse.
A delegada afirmou que o condutor
dirigia um ônibus fretado que vinha de Campinas (SP) com
trabalhadores que seriam deixados em endereços diversos da capital
paulista. Passageiros que estavam no veículo testemunharam em
favor do motorista na delegacia, argumentando que ele atuava há
anos no ramo e era considerado um profissional responsável.
O ônibus, registrado em nome da empresa Silvetur
Transportes e Turismo, de Campinas, teria passado sobre a perna do engenheiro.
O motorista poderá será condenado por homicídio
culposo (sem intenção de matar). A reportagem entrou em
contato com um representante da Silvetur, que afirmou "lamentar
muito o ocorrido" e disse que "em 23 anos de atuação
a empresa não havia se envolvido em qualquer acidente que tenha
machucado alguém."
A Lorenzetti confirmou a morte de Bertolucci no início
da tarde. Segundo a empresa, ele deixa mulher e seis filhos.
Pelas informações preliminares, o engenheiro
teria sido atropelado às 8h45 de 13/06, quando pedalava com sua
bicicleta pela avenida Paulo VI (acesso que liga as avenidas Henrique
Schaumann e Sumaré), na altura da praça Caetano Fraccarolli,
pouco antes do início da faixa para ciclistas instalada no canteiro
central da avenida Sumaré.
Segundo relatos de testemunhas à Agência
Estado, Bertolucci teria perdido o equilíbrio e caído
no chão. O ônibus que passava ao seu lado atropelou o empresário,
de acordo com as testemunhas –pelo Código Brasileiro de
Trânsito, os veículos devem manter distância de 1,5
metro ao ultrapassar ciclistas. A polícia não confirma
os relatos.
No depoimento que prestou no 14º Distrito Policial,
o motorista do veículo afirmou que estava fazendo uma curva quando
ouviu um barulho. Ao observar no retrovisor, percebeu que havia um homem
caído entre o ônibus e a guia.
Segundo informações do boletim de ocorrência,
fornecidas pela Secretaria de Segurança Pública, o motorista
relatou não ter visto Bertolucci antes do acidente. A Polícia
Civil requisitou uma perícia no local.
O empresário foi socorrido por uma ambulância
do Serviço de Móvel de Atendimento de Urgência (Samu)
e foi atendido no Hospital das Clínicas. Bertolucci morreu poucos
minutos após dar entrada no pronto-socorro, que não fica
a mais de um quilômetro do ponto do acidente.
fonte: noticiasuol
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