por: prof. MS Helio Souza
“...O circuito estava muito difícil...”
“...o pessoal esta pedalando muito forte...” “...
temos que competir mais vezes fora do Brasil...” “... o
nível aqui é outro...”
Essas e outras frases, que já se tornaram “jargões”
em época de mundial, parecem bem atuais, mas, infelizmente, são
apenas cópias de anos anteriores e que apenas estão se
repetindo. Por favor, não me interpretem como arrogante, mas
já era esperado este tipo de situação em 2011 e,
sinceramente, vai ser assim no próximo ano e depois, depois,
depois, depois... Se alguém imaginou um nível de exigência
baixo deve rever urgentemente os seus conceitos porque campeonato mundial
vai ser sempre muito difícil.
Diante disso, o que temos que fazer para não sermos surpreendidos
mais vezes????? A “QUASE” totalidade das respostas fica
na também repetida, simplista e reducionista solução:
“FALTA COMPETIR FORA DO PAÍS”. Não sou louco,
sem conhecimento e sem noção em afirmar que o intercâmbio
não seja fundamental, essencial e necessário. Porém,
não podemos começar a construção da nossa
casa pelo teto. Se quisermos obter resultados expressivos temos que
mudar o conceito do que é esporte de alto rendimento.
Competir fora do Brasil melhora o desempenho dos nossos atletas, porém
não os torna diferenciados, pois estaremos sempre na dependência
do que os outros estão realizando.
Vou utilizar o exemplo de outra modalidade para reforçar os meus
argumentos.
Quando o Brasil ganhou destaque na ginástica artística
(ginástica olímpica)? No momento em que o projeto reforçou
os seus alicerces, ou seja, os atletas passaram a treinar, executar
e se exercitar de maneira diferente, tornando as competições
internacionais parte do processo e não o todo.
Veja algumas fotos (abaixo) do atual campeão mundial de mountain
bike Junior, o Francês Victor Koretzky. São fotos que impressionam
e mostram que ele possui extrema habilidade com a bike.
Será que este garoto ele teve a mesma dificuldade nos trechos
mais técnicos do circuito que a grande maioria dos seus adversários?
Enquanto vejo muitos jovens evitando pedalar em locais de maior dificuldade
e treinando somente em estradas de terra o Frances “voa”
com as suas bikes em algumas sessões. Não vou dizer que
ele foi campeão mundial porque executa ótimos saltos,
não é isso, mas posso afirmar que o seu repertório
motor, de habilidades e de agilidade esta a frente de muitos atletas.
Se eu disser que os atletas brasileiros de mountain bike deveriam treinar
algumas sessões com uma bike de downhill, treinar Dirty, “brincar”
com uma bike de bicicross vão dizer que eu sou louco. Então
eu sou louco!
O próprio multi-campeão Julien Absalon já mencionou
diversas vezes que tem como Hobby o MotoCross. Será que a percepção
de velocidade dele não é diferenciada por conta disso?

Outras questões que não podemos
aceitar são os “achismos”. “... eu acho que
funciona...” “...meu amigo disse que o colega dele que conhece
o atleta campeão faz XXXXXX exercício que eu acho que
pega mais...”
Isso não pode, não deve e nem deveria estar em pauta.
Esporte é ciência, estudo, conhecimento, informação,
análise... teóricas e praticas. Estamos em 2011 e a ciência
esta muito evoluída em relação aos aspectos nutricionais,
fisiológicos, de treinamento, recursos ergogênicos, enfim,
existem estudos e pessoas capacitadas para exercerem estes auxílios,
por isso não consigo entender o motivo desse distanciamento.
Alguém acredita que vamos obter melhores resultados no mountain
bike sem a somatória de conhecimento advinda de profissionais
capacitados em diversas áreas e também dos ex-atletas?
Os brasileiros possuem diferenciais de determinação,
adaptação, superação e vontade, porém
não podemos depender somente disso. Atualmente há uma
boa geração de mountain bikers que esta crescendo sob
os mesmos alicerces e isso não é nada positivo. Temos
que cuidar desta safra, caso contrário o “filme”
se repetirá.
Enfim, esta é apenas uma reflexão
e não tem o intuito de se tornar verdade absoluta, pois inanimidade
não é algo que seja necessariamente bom.
Porém, serve como um ponto de partida para deixarmos de lado
o discurso das viagens e crescermos efetivamente no esporte, sem depender
exclusivamente da vontade divina de fazer nascer nas terras tupiniquins
algum iluminado com super poderes de atleta e que nos leve a uma medalha
olímpica.
fonte:
he treinamento esportivo
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