Tomas Van Houtryve para The New York
Times

A Suíça adotou a bicicleta elétrica,
e já existem 400 locadoras espalhadas pelo país
O uso da bicicleta elétrica é mais comum
na Europa do que no resto do mundo, mas nenhum lugar adotou tanto esse
conceito quanto a Suíça.
Por 50 francos por dia (cerca de US$ 62) é possível alugar
uma bicicleta elétrica em uma das 400 locadoras do país,
para então percorrer alguns dos 9.000 km de ciclovias bem demarcadas,
com centenas de postos no caminho para recarregar novas baterias gratuitamente.
O modelo Flyer C de fabricação suíça que
eu aluguei em Berna parecia uma bicicleta comum, mas pesava esmagadores
27 kg -nada menos que 18 kg a mais do que a bicicleta tipo cross que
eu tenho em casa.
Há quatro configurações de energia -alta, padrão,
ecológica e desligada. Um sensor de torque informa ao motor elétrico
o quanto precisa me ajudar, com base na energia e na força que
eu coloco nos pedais.
Passei quatro dias em um trajeto de 250 km, subindo e cruzando uma série
de percursos alpinos, para avaliar se os benefícios de um motor
elétrico seriam maiores que o seu peso.
Descobri que, com uma bicicleta elétrica, em vez de me preocupar
com a próxima subida exaustiva eu podia relaxar sentindo o aroma
das flores e escutando os sinos das vacas e ovelhas.
No primeiro dia, minha bateria estava em cerca de 40% quando cheguei
a Madiswil, uma aldeia a cerca de 16 km da minha meta. Segui uma placa
vermelha com o desenho de uma bicicleta e uma bateria e fui dar no hotel
Gasthof Bären, um dos 600 pontos de troca espalhados pelo país,
onde uma moça me deu uma nova bateria.
Ao longo de toda a viagem, foi sempre assim tão fácil.
No segundo dia, pus a bicicleta no modo "alto", o que aumentou
minha energia própria em cerca de 150%; o motor se desligava
em torno de 25 km/h, o limite legal para uma bicicleta.
Por volta de 15h, iniciei a lenta e constante subida até o topo
do Passo de Glaubenbielen, com 1.500 metros de altitude.
Foi mais difícil do que eu esperava, mas certamente cheguei lá
com mais conforto -eu tinha um selim grande, amortecedores dianteiros
macios e uma posição ereta.
No terceiro dia, quando a estrada chegou a uma inclinação
de 12%, aprendi que eu vinha usando a bicicleta de forma errada. Numa
bicicleta elétrica, é preciso resistir à tentação
de fazer força; é melhor colocar uma marcha mais forte
e ficar sentado, deixando o motor fazer o seu trabalho.
Cheguei rapidamente ao topo do Passo de Brünig, a 1.005 metros,
mas com as baterias completamente esgotadas. Tudo bem. Lá no
cume encontrei o que deve ser o mais espetacular ponto de troca de baterias
no país: o Hotel Brünig Kulm.
Eu planejava para o último dia de viagem basicamente uma descida
fácil de 32 km até Interlaken, onde eu apanharia o trem
para Berna, a capital suíça.
Mas decidi ignorar o trem e ir de bicicleta, mesmo que isso significasse
uma jornada de oito horas e 128 km.
O sol ainda estava alto, e meu mapa mostrava um posto de troca acessível.
Coloquei o motor no máximo e acelerei curva adentro.
fonte: folha.uol.com.br
topo