Conheça a história do ex-agropecuarista
Robson Mendonça, que já emprestou mais de 4 mil livros
a moradores de rua do Centro de São Paulo. "Carrego até
200 quilos de livros"
Eu era agropecuarista em Alegrete (RS) e há dez anos decidi vender
tudo e vir para São Paulo. Logo que cheguei, fui assaltado. Sem
dinheiro ou documentos, virei morador de rua.
Minha mulher e filhos vieram pouco depois, mas morreram num acidente
de carro. Por causa da emergência, pedi para dar um telefonema
num prédio público e fui proibido de entrar. Fiquei revoltado,
juntei um pessoal de albergues e formamos um grupo para lutar pelos
nossos direitos.
Surgiu o Movimento Estadual da População em Situação
de Rua, que ajuda a encaminhar os sem-teto a cursos e empregos.
Só em 2011 tiramos 242 pessoas da rua.
Descobri que não conseguiria nada sem estudo.
Tentava pegar livros em bibliotecas, mas não podia, porque não
tinha comprovante de residência.
Decidi que um dia criaria uma biblioteca itinerante que não exigisse
nenhum cadastro. Quando conheci o Lincoln Paiva, presidente do Instituto
Mobilidade Verde, enviei o projeto e eles viabilizaram a “bicicloteca”.
FOTO DANIELA TOVIANSKY
Levo até 200 quilos de livros pelo Centro todos os dias, quase
300 obras! Temos cerca de 18 mil livros para ser emprestados e 90% dos
leitores são moradores de rua.
Há dois meses a bicicloteca foi roubada durante
uma reportagem. Descobri quem a levou e a polícia foi comigo
buscar o triciclo, que precisou ser reformado. Vamos conseguir mais
dez biciclotecas até o fim de 2012.
Já conseguimos até um modelo elétrico que disponibiliza
Wi-Fi e uma webcam, para cadastrar fotos dos moradores e ajudar as famílias
a encontrá-los.
Hoje moro em uma pensão e leio bastante. Meu
autor preferido é Mario de Andrade e o livro que mais marcou
minha vida foi A revolução dos bichos, de George Orwell.
Tenho lido muitos textos na área de Direito para aprender sobre
jurisprudência e entender os casos da população
de rua. Não acreditam que eu faço isso de graça.
Um dia um rapaz da Praça da Sé disse que antes da bicicloteca
ele e os colegas viviam bebendo cachaça e agora estão
estudando.
Quer pagamento maior que ver alguém aprender?
fonte: uol.com.br
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