O fair play está claramente vinculado à
ética no meio esportivo. Vamos entender melhor os termos.
O fair play está claramente vinculado à
ética no meio esportivo. Suas inter-relações com
o comportamento considerado exemplar por um ciclista dentro e fora de
um circuito Cross Country se tornam cada vez mais incisivas.
Antes, vamos entender melhor os termos:
Fair Play, o que vem a ser isso?
Durante todo o século XX, a sociedade ocidental e o esporte passaram
por inúmeras transformações. Foi na sociedade aristocrática
que surgiu o conceito de “fair play”, difundido pelo Barão
Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna.
O “fair play” defendido por Coubertin representa a honra
e a lealdade, o respeito pelos outros e por si próprio. Estes
valores refletem o pensamento da aristocracia inglesa do século
XIX a respeito das práticas esportivas.
No entanto, a influência do marketing e da mídia
pressionando os atletas por melhores resultados gera na mente de treinadores
e esportistas o pensamento de vitória a qualquer preço,
culminando na utilização de meios ilícitos, tais
como o doping, a manipulação genética, processos
de naturalização, entre outros, quebrando assim, os princípios
do jogo limpo.
Cross-country ou XC: É a prova disputada em um
circuito fechado, em que os competidores devem completar um certo número
de voltas para terminar a prova. Em algumas competições
internacionais essa modalidade é chamada de XCO (Cross-Country
Olímpico), tendo que obedecer alguns parâmetros técnicos
como comprimento da pista e quantidade de voltas. É geralmente
em trilha fechada, mas pode ter trechos de estrada de terra também
e em alguns casos chega a ter trechos curtos de asfalto.
É possível praticar o Fair Play no MTB
12 HORAS?
Ao se considerar que são uns 350 atletas inscritos, provavelmente
metade dos ciclistas estarão no circuito ao mesmo tempo, com
velocidade média e objetivos diferentes, dependendo se estão
na categoria solo, duplas ou quartetos.
Um biker solitário sabe que tem que ser constante e rápido,
embora tenha que dosar seu esforço para completar às 12
horas chegando à frente dos demais.
Em dupla, cada competidor não poderá esquecer
que qualquer excesso poderá levar o companheiro a ter que pedalar
sozinho por muitas voltas, caso um deles, sofra uma queda ou perca rendimento.
Nos quartetos, a regra é dar tudo de si em cada
volta, ou seja, “pedal em baixo”, giro alto e ousadia ao
extremo.
Sai, sai, sai...
Uma das mais odiadas frases pode sim ser evitada, bastando seguir, segundo
visão do Professor Arnaldo, modesto competidor, que explana algumas
atitudes básicas:
O biker veloz:
• Avise de forma cortês que está próximo do
biker a ser ultrapassado.
• Informe de que lado pretende fazer a abordagem.
• Aguarde o momento mais adequado, lembre-se de que cada um tem
metas diferentes.
• Agradeça ao ultrapassar.
O Biker Mediano
• Proceda os mesmos passos do Bike Veloz, lembrando
que em quase todas as categorias as maiores “feras do MTB”
estão presentes, e você está ali mais pelo amor
ao esporte e paixão por competições, do que qualquer
outra coisa.
• Então, o Fair Play deve ser sua regra nº 01, ou
seja, antecipe-se e abra espaço para o biker veloz.
• Ao ser ultrapassado deseje-lhe boa sorte, deixa um clima bom,
mesmo sob o calor da disputa.
O Biker lento (Professor Arnaldo):
• Na largada ao estilo “Le Mans”, deixe aos mais rápidos
a primazia de tomarem suas posições.
• Ouvido atento, ou seja, ao escutar ruídos de um biker
veloz, poste-se de uma maneira no single track, de modo que o competidor
possa seguir sem maiores sustos.
• Colabore com aqueles que tenham algum problema mecânico,
pois somos todos amigos e parceiros em muitas das competições
da temporada.
• Dirija palavras de incentivo a aqueles que porventura estejam
passando mal durante suas voltas. Um estímulo pode ser o suficiente
para tal biker concluir a volta e passar o “bastão”
algo seguinte companheiro.
• Cumprimente a todos aqueles que te dirijam a palavra, educação
é sempre bom e sempre cai bem, quero dizer sem quedas, por favor.
Adriana Nascimento: a Rainha do FAIR PLAY!
Lembro-me de que no SRAM 50 K, promovido pelo Sambabikers, a categoria
Elite Feminina largou no final do pelotão. Então, a menos
de um quilômetro começou um single track e um incrível
congestionamento havia se formado, pois mais de meia centena de bikers
estavam participando. Aí...
- Por favor, sou da Elite Feminina; assim que for possível
vocês poderiam dar passagem – disse suavemente Adriana Nascimento,
uma das maiores feras do MTB da atualidade.
E não deu outra: dezenas e dezenas de bikers
aturdidos pelo modo educado da grande campeã, atiravam-se com
bike e tudo barranco abaixo, num Fair Play coletivo, que me deixou feliz
por ser apenas um deles, entre tantos outros com a mesma disposição.
Portanto, lembre que nossa querida Adriana Nascimento,
estará presente no MTB 12 Horas e se ele pratica entusiasticamente
o Fair Play, nada melhor do que nós irmos pelos mesmo caminho.
È ou não é?
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