Podemos dizer que ativistas pró-bicicleta
estão “apenas” 15 anos atrasados quando o assunto
é ciclomobilidade .
Conforme vemos na notícia abaixo, o problema
que estamos vivendo hoje, já foi vivido por outros, mas mesmo
assim insistimos em gastar energia, tempo, dinheiro e “fosfato”
num tema óbvio, com soluções óbvias.
Quinta-feira, 17 de maio de 1994
Um grupo de ciclistas foi preso por obstruir e causar
danos de forma criminosa à via enquanto pintavam ciclofaixas
nas vias de Londres.
Munidos de potes de tinta, stencils, coletes refletivos
e sinais de “reduza a velocidade”, os ativistas pintaram
de forma discreta quilômetros de ciclofaixas pela capital antes
de serem autuados. Eles receberam a intimação para comparecer
hoje perante os juizes da corte de Battersea, com a possibilidade de
receber multas de até 2.000 libras (cerca de R$ 5.700,00) cada
– se declarados culpados.
Os ciclistas – entre eles Shane Collins, candidato
do PV europeu da micro-região sul de Londres – justificam
que sua ação não é ilegal e está
de acordo com as políticas governamentais e locais. Eles pretendem
pedir que John Gummer, o Secretário de Estado para o Meio-Ambiente,
se posicione em sua defesa.
“O Governo e cada uma das subprefeituras
de Londres concordaram em promover a pintura das ciclofaixas há
dois ou três anos atrás, mas não fizeram nada até
agora”, declarou o Sr. Collins. “Nós estamos mostrando
o quão eficaz e baratas são as ciclofaixas”.
Trabalhando durante a noite em grupos de quatro ou
cinco membros, os ativistas utilizaram um mapa de ciclomobilidade sugerido
e publicado pelo Governo em 1991 para planejar as rotas. Enquanto um
membro do grupo orientava o trânsito – fazendo com que os
motoristas pensassem que eles eram funcionários da Prefeitura
– os outros utilizavam tinta branca não aderente aos pneus
dos carros e stencils de marcação de ciclofaixas de acordo
com a lei. As ações foram feitas no norte, oeste e sul
de Londres e os ativistas insistem que o trabalho feito está
de acordo com as exigências da Prefeitura.
A Sub-Prefeitura de Lambeth apagou as ciclofaixas piratas,
mas os ativistas dizem que elas serão re-pintadas em até
uma hora depois de terminado a audiência.
“Nós estamos literalmente fazendo o trabalho da Prefeitura
. Pedalar é super perigoso em Londres. Quase todo mundo que pedala
já teve algum tipo de acidente”, disse Martin Ireland,
que teve de ser submetido a uma plástica recentemente, após
ter sido atingido por um caminhão enquanto pedalava para o trabalho.
Em 1990, o Departamento de Transporte implantou a política
da “Campanha Pedala Londres” que propõe a instalação
de uma rede ciclável de 1.000 milhas (cerca de 1.600 quilômetros)
na capital inglesa, mas apenas 125 milhas (cerca de 200 quilômetros)
foram pintadas, principalmente em Wandsworth, Fulham e Hammersmith.
As Subprefeituras locais pressionadas justificam que sem a ajuda do
governo, elas são incapazes de fornecer a infraestrura que custa
cerca de 40 milhões de libras (cerca de 115 milhões de
reais).
Em julho, os representantes de 33 autoridades locais
de Londres apresentarão um pedido de fundos coordenada ao Departamento
de Transporte para construir uma rede ciclável em Londres. No
entanto, o Departamento de Transporte deu a entender que não
disponibilizaria verbas extras para tal.
“Embora estejamos a favor das ciclofaixas,
essa posição é fortalecida”, declarou um
porta-voz.“Nós não saímos mudando políticas
no meio do ano”.
Em 1990 um grupo de ativistas pró-bicicleta
em Fulham “emprestou” o material de pintura viária
da Subprefeitura durante a noite e pintou uma ciclofaixa. Ao devolver
o material pela manhã, eles conseguiram convencer um funcionário
da Prefeitura a emitir uma ordem falsa de pintar a ciclofaixa no sistema
de informática da autoridade local.
Ao contrário de muitas das ações
do grupo, a ciclofaixa continua no local.
Tradução: Gabriel Nogueira
fonte: independent.co.uk/artebicicletamobilidade.wordpress.com
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