Entenda os efeitos que a substância
liberada durante a corrida provoca no organismo e porque ela torna a
atividade física um “vício”
Por Fausto Fagioli Fonseca
Você já deve ter ouvido que praticar um
esporte como a corrida pode ajudar na melhora física e mental.
Já deve ter ouvido também que a atividade física
dá aquela sensação de bem-estar logo após
a sua prática. Isso tudo tem explicação científica.
Trata-se da endorfina.
O termo endorfina se origina das palavras endo (interno)
e morfina (analgésico), e trata-se de um neuro-hormônio
endógeno (produzido pelo próprio corpo), da glândula
hipófise. A endorfina traz vários benefícios para
o nosso corpo, como aumento de disposição, melhora no
sistema imunológico e alívio de dores.
“A endorfina é o que chamamos de neurotrasmissor,
ou seja, é uma substância produzida pelo cérebro
através do estímulo de exercícios físicos
aeróbios, que modula dor e estresse. Regula a utilização
de carboidratos como forma de energia, estimulando a queima de gordura
corporal como forma de energia”, explica Páblius Staduto
Braga da Silva, médico do esporte do Hospital 9 de Julho, que
completa.
“Sua liberação através do
esporte propicia o aumento da disposição física
e mental, dá a sensação de bem-estar, alivia as
dores, melhora a resistência física e a tolerância
ao esforço fisico, melhora o humor etc”.
A corrida e a endorfina
Por mais cansativo e doloroso que tenha sido o treinamento, ou até
mesmo a prova, é comum que os corredores, logo após terminarem
o exercício, sintam uma sensação de satisfação,
de alegria. Isso também se explica cientificamente.
Um estudo recente da Universidade de Bohn, na Alemanha,
analisou o cérebro de 10 corredores antes e depois de uma corrida
de duas horas de duração. Imagens captadas da região
mostraram áreas ligadas à emoção que foram
ativadas por causa da liberação da endorfina. Os participantes
da pesquisa relataram ainda que, após o término da atividade,
sentiram um aumento de euforia e de bem-estar.
“A corrida ajuda sim na liberação
de endorfina, principalmente por ser uma atividade aeróbia, ou
seja, de média intensidade e de longa duração.
Após 30 minutos de atividade o corpo começa a liberar
este hormônio, que está ligado à sensação
de prazer por causa da ação cerebral.”, comenta
Staduto.
A endorfina vicia?
Depois que começam a correr, muitos atletas dizem que não
conseguem mais parar. E ainda vão além, se dizem “viciados”
pela atividade. Isso é natural, já que uma vez que o organismo
se acostuma com as boas sensações geradas, isso gera uma
espécie de dependência, ou seja, o corpo sente falta das
substâncias liberadas pelo exercício, como a própria
endorfina.
“A prática de atividades promove a liberação
dessa substância, que é uma espécie de ´droga
natural´. Por ser produzida pelo próprio organismo, a endorfina
é benéfica e funciona como um anestésico natural,
que diminui a dor após uma determinada carga de exercícios”,
afirma Maurício Pires de Albuquerque, psicólogo clínico
e esportivo e professor de Psicologia Esportiva do IEFD/UERJ.
“De certa forma, podemos dizer que a endorfina
é viciante sim, já que a falta do exercício físico
por alguns dias, quando se está em um treinamento, pode levar
à sensação de desconforto, mau-humor e cansaço.
Prontamente as boas sensações retornam após reiniciar
o programa de treinamento. É o ´sentir falta do exercício´”,
completa Staduto.
fonte: o2porminuto.uol
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